Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Após 30 anos, Edemir deixa o setor financeiro

De saída da B3, fusão de Cetip e BM&FBovespa, executivo cria empresa com foco no setor imobiliário

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

29 Abril 2017 | 05h00

Após mais de 30 anos no mercado financeiro, Edemir Pinto se despediu ontem da presidência da B3, empresa resultante da fusão entre Cetip e BM&FBovespa. Além dessa combinação, que teve o executivo como idealizador, Edemir esteve à frente da união entre BM&F e Bovespa, em 2008. Agora, ele deixa o setor para dar início a uma carreira como empresário.

Em junho, Edemir se prepara para inaugurar a EP – Empreendimentos & Participações, companhia com foco no setor imobiliário e que também terá atuação na compra de participação em empresas. Nessa área, o interesse da EP é investir em empresas iniciantes de segmentos voltados para sustentabilidade. “Agora, vou empreender na economia real. Em startups, não busco nada voltado ao mercado financeiro. Quero virar a página e dar minha contribuição.”

Edemir chegou à Bolsa em 1986, quando foi convidado para criar, na Bovespa, o primeiro mercado de futuros no País. Até então só havia no Brasil o futuro de agrícola. Foi assim que ele criou e comandou a BM&F, que depois se uniu à Bovespa, virando BM&FBovespa. A fusão desta última com a Cetip deu origem à B3.

O acordo com a Cetip foi um negócio de R$ 12 bilhões e criou uma empresa de mais de R$ 40 bilhões de valor de mercado. A operação foi concluída mais de um ano após seu anúncio, depois de todas as aprovações com os reguladores, o que aconteceu no fim de fevereiro.

Nasdaq. “Sempre olhei a Cetip como um admirador de seu modelo de negócio. Antes dessa, tentei uma compra ou incorporação por outras cinco vezes e não consegui realizar.” Edemir conta que, logo após a BM&F incorporar a Bovespa, o olhar da companhia era o de internacionalização. No foco estava a americana Nasdaq. A proposta feita à época, no entanto, não foi aceita. Depois, outro alvo foi a Bolsa de Opções de Chicago, a CBOE, desejo que também não foi em frente.

O processo de internacionalização, no entanto, veio pela América Latina. Hoje, a B3 já é acionista minoritária em quatro bolsas da região: Peru, Colômbia, Chile e México. Falta ainda a aquisição de uma fatia da bolsa da Argentina, que deve ocorrer até o fim do ano.

Agora, o executivo passa o bastão para o ex-presidente da Cetip, Gilson Finkelsztain, que terá a missão de conduzir a B3 no processo de integração das companhias.

Em relatório ao mercado, o Credit Suisse destacou que Edemir, à frente da BM&FBovespa, “renovou suas plataformas de negociação, integrou suas câmaras de compensação, prestou um louvável controle de custos e conduziu o negócio de transformação com a Cetip”. Sobre os desafios de Finkelsztain, a instituição apontou a melhoria do processo de inovação para potencializar as sinergias de receitas e controlar de custos.

“Olho para trás e vejo um legado de incorporações. Hoje, há um modelo brasileiro inédito no mundo, de uma infraestrutura de mercado única. O Brasil possui uma Bolsa forte e um mercado com grande potencial de desenvolvimento, o que significa que ela está preparada para, cada vez mais, atrair investidores de todo o mundo”, destaca Edemir.

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