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Após 4 horas de reunião, Copom mantém juro em 13,75%

Apesar de a decisão ter sido tomada de forma unânime, redução dos juros foi cogitada

Da Redação,

10 de dezembro de 2008 | 21h22

Após quatro horas de reunião, os integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) decidiram manter a Selic, a taxa básica de juros da economia, em 13,75% ao ano. Apesar de a decisão ter sido tomada de forma unânime, redução dos juros foi cogitada. A taxa fica neste patamar até a próxima reunião do Copom, marcada para os dias 20 e 21 de janeiro de 2009. Veja também:A evolução da taxa Selic no governo Lula Desemprego, a terceira fase da crise financeira globalDe olho nos sintomas da crise econômica Dicionário da crise Lições de 29Como o mundo reage à crise    "Tendo a maioria dos membros do Comitê discutido a possibilidade de reduzir a taxa básica de juros já nesta reunião, em ambiente macroeconômico que continua cercado por grande incerteza, o Copom decidiu, por unanimidade, ainda manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, sem viés, neste momento. O Comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação com vistas a definir tempestivamente os próximos passos de sua estratégia de política monetária", diz o comunicado do banco Central divulgado ao final da reunião. A taxa Selic está em 13,75% desde 10 de setembro de 2008. Essa é a segunda decisão seguida de manutenção do juro. Na reunião do fim de outubro, o Comitê também havia decido manter a Selic em 13,75% ao ano. Entre as instituições financeiras consultadas pelo AE Projeções, a expectativa majoritária era de que o Copom deveria manter a Selic em 13,75% ao ano. De um total de 60 casas consultadas, 58 esperavam a manutenção da taxa e apenas duas aguardavam redução de 0,25 ponto porcentual.  A ata desta reunião será divulgada em 18 de dezembro, próxima quinta-feira, às 8h30. Críticas Logo após o anúncio da decisão do Copom, os setores já emitiam críticas à manutenção dos juros. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) avaliou como "absurda" a decisão. A entidade, que prevê um cenário econômico difícil em 2009, acredita que o juro neste patamar não estimula os investimentos produtivos, não se justifica no temor da pressão inflacionária e vai contra o que países como Estados Unidos, Japão e União Européia têm feito para conter os efeitos da crise. "Desse jeito, já começo a sentir saudade de 2008. O governo brasileiro, ao insistir em não abaixar a Selic, coloca-se na contramão do que países como Japão, Estados Unidos e outros da Europa estão praticando: cortes drásticos nos juros para proteger emprego e renda", afirmou, em nota, o presidente da Fiesp, Paulo Skaf. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avalia que a crise seria amenizada se o Comitê tivesse optado por um corte na taxa de juros. "A perda de intensidade da atividade econômica, em virtude dos efeitos da crise financeira internacional e das dificuldades do mercado de crédito, justificaria plenamente uma ação nesse sentido", disse o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto. Para o dirigente, um corte na taxa de juros "acompanharia inclusive a política monetária de diversos países nesse momento de necessidade de ações coordenadas em escala internacional". Ele avalia que o momento por que passa a economia mundial, com forte deflação, justificaria a queda dos juros. Para ele, o corte da taxa Selic complementaria medidas já implementadas para enfrentar a crise financeira internacional. No comércio, a decisão do Copom também foi alvo de críticas. De acordo com a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), a reunião de hoje ignora o risco de contágio do País pela crise que abala o sistema financeiro mundial. A manutenção dos juros não se justifica pela pressão do câmbio sobre a inflação, enfatiza a entidade, e contradiz as medidas de liberação do compulsório adotadas pelo governo, pois a remuneração dos títulos públicos ainda é uma opção mais atrativa e segura que a concessão de empréstimos ao setor privado. "A situação é gravíssima. Pesquisas indicam que empresários podem reduzir em até R$ 40 bilhões os investimentos que pretendiam fazer no ano que vem. Diante disso é preciso agir para restabelecer a confiança dos investidores na continuidade do crescimento do País", disse o presidente da Fecomercio-SP, Abram Szajman.

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