Após 8 meses, endividamento das famílias cai pela primeira vez

Em setembro, dívida total dos brasileiros com os bancos era de 44,39% da renda acumulada nos últimos 12 meses

EDUARDO CUCOLO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de novembro de 2012 | 02h10

O endividamento das famílias caiu pela primeira vez no ano, depois de subir por oito meses seguidos. Segundo o Banco Central, a dívida total dos brasileiros com o sistema bancário correspondia, em setembro, a 44,39% da renda acumulada nos últimos 12 meses, abaixo do recorde de 44,5% em agosto.

A mudança de tendência em relação ao verificado, principalmente, no início do ano é confirmada por outro indicador. Também houve queda no comprometimento da renda do consumidor com o pagamento mensal de prestações com dívidas bancárias, que recuou pelo segundo mês, para 22% do salário, ante 22,2% no mês anterior. O porcentual ainda está próximo do recorde de 22,4% de outubro de 2011.

Esse último dado é dividido em duas partes pelo Banco Central. A parcela das prestações que corresponde ao pagamento de juros caiu pelo terceiro mês, para 7,62% em setembro, menor nível em 15 meses.

Esse é um dos principais fatores que ajudaram a reduzir o gasto mensal com dívidas e é explicado pela queda dos juros bancários nos últimos meses, que estão nos menores níveis da história. Já a parte que se refere à amortização do principal das dívidas caiu pelo segundo mês, de 14,41% para 14,38% no mesmo período.

Casa própria. Apesar de o endividamento continuar em níveis elevados, o Banco Central avalia que parte da alta nos últimos anos se deve à ampliação do crédito imobiliário, que são dívidas de alto valor, mas com prazo de pagamento mais longo.

Esse é um dos fatores que explicam por que o endividamento total é quase o dobro da parcela que é usada mensalmente para pagar dívidas. Além disso, a instituição vem afirmando que muitos consumidores trocaram o comprometimento da renda com aluguel - que não entra nas estatísticas do Banco Central - pela prestação da casa própria. O governo diz ainda que o grau de endividamento de famílias e empresas no Brasil é muito mais baixo que em países avançados que hoje estão em crise.

O comprometimento da renda é calculado pelo Banco Central com base nos valores mensais pagos no serviço das dívidas, apenas com o sistema financeiro, e na renda das famílias (descontados os impostos). Para calcular o endividamento total, considera a massa salarial em 12 meses e o valor total das dívidas bancárias em um determinado mês.

Hoje, o Banco Central divulga os dados de crédito para o mês de outubro. Em setembro, a greve dos bancos contribui para o aumento dos juros e para a redução na liberação de empréstimos. Dados parciais para o mês passado ainda mostravam queda nas concessões e alta de juros para pessoas físicas.

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