Após a pior queda em 14 anos, PIB da construção deve crescer 1% em 2015

Após a pior queda em 14 anos, PIB da construção deve crescer 1% em 2015

Para Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas, leve recuperação deve ser puxada por novas Parcerias Público-Privadas

Nayara Fraga, O Estado de S. Paulo

25 Dezembro 2014 | 02h02

SÃO PAULO - Depois de um ano amargo para a construção civil, no qual o setor registrou seu pior resultado em 14 anos, a expectativa é de que 2015 apresente uma leve melhora. Segundo cálculos da consultoria GO Associados compilados no boletim da Associação Paulista de Empresários de Obras Públicas (Apeop), o Produto Interno Bruto do setor vai crescer 1% no próximo ano. Em 2014, o índice - que considera, entre vários outros itens, investimentos, inflação e os custos com material de construção e mão de obra - deve terminar em queda de 5%.

Na avaliação da Apeop, os recentes escândalos de corrupção da Petrobrás, que envolvem grandes empreiteiras, não devem prejudicar o setor. Enquanto o mercado vê como incerto o futuro das companhias ligadas ao esquema (um cartel que combinava contratos superfaturados com a estatal), a associação garante que há um grande conjunto de empresas capacitadas no Brasil para tocar as obras de infraestrutura do País. "Em tecnologia e engenharia, nós não ficamos devendo nada a ninguém no mundo", diz Luciano Amadio Filho, presidente da Apeop.

Para ele, as empresas podem se juntar eventualmente em consórcios para enfrentar qualquer tipo de obra. "Por isso, somos contra o argumento que defende a entrada de estrangeiras no País. Já não há obras suficientes para as empresas que temos", afirma.

A melhora no setor da construção prevista para 2015 é esperada sobretudo para o segundo semestre do ano, de acordo com a associação. As expectativas se baseiam, principalmente, em dois fatores.

O primeiro é a retomada das concessões - novas Parcerias Público-Privadas (PPPs) são aguardadas. O segundo é a nova equipe econômica anunciada pelo governo, composta por Joaquim Levy, no Ministério da Fazenda, e Nelson Barbosa, no Ministério do Planejamento. A avaliação da entidade é de que o time mostra preocupação com o resgate da credibilidade da política econômica.

Segundo o boletim da Apeop, entre 12 de junho e 11 de dezembro de 2014, foram contratadas 14 PPPs nas esferas municipal, estadual e federal. E 48 parcerias estão em processo de licitação ou formatação. A quantia é expressiva, segundo o sócio da GO Associados e responsável pela elaboração do boletim da Apeop, Gesner Oliveira. "Enquanto se discutem os grandes problemas da nação, há uma revolução silenciosa ocorrendo aí", diz. Nos anos anteriores, segundo Oliveira, o comum era ver cerca de quatro PPPs por semestre.

São Paulo é o Estado que lidera em número de PPPs - quatro foram contratadas entre junho e dezembro e há 15 em formatação. Entre elas está o projeto "Habitação de Interesse Social", que prevê a construção de moradias no centro de São Paulo para as pessoas que trabalham na região mas moram longe. A ideia é que o Estado forneça terrenos e imóveis desocupados para que as construtoras ergam ali as moradias.

Minas Gerais ocupa a segunda posição, com 3 PPPs contratadas e 12 em formatação, e o Espírito Santo aparece em terceiro lugar, com 1 contratada e 3 em formatação.

Desafios. Em 2015, no entanto, o setor de construção herdará diversos desafios deixados por 2014. "Teremos um crescimento pífio", diz Carlos Eduardo Lima Jorge, diretor executivo da Apeop. Em 2014, o desempenho da economia foi fraco e a realização da Copa do Mundo colaborou para o saldo negativo do segmento.

O término dos empreendimentos construídos especialmente para a Copa e a diminuição do ritmo de construções durante o evento esportivo pesaram na conta. Além disso, o estoque de imóveis acumulados principalmente em 2012 e 2013 contribuiu para as vendas abaixo da expectativa.

Outro fator que preocupou o setor em 2014, segundo a Apeop, foi a desaceleração das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), programa do governo federal. A explicação para isso é o atraso nos pagamentos às construtoras.

A estimativa da associação é de que o governo esteja devendo pelo menos R$ 5 bilhões a cerca de 300 companhias. Segundo a entidade, há mais de uma dezena de empresas que, por conta desse atraso, não pagaram os salários de novembro e dezembro nem o 13º a seus funcionários.

SP com 40% das receitas da União em 2013. Dos R$ 456 bilhões que o Estado de São Paulo repassou à União em 2013, apenas R$ 32 bilhões foram devolvidos para os cofres do Estado, segundo levantamento da GO Associados para a Associação Paulista de Empresário de Obras Públicas (Apeop). O valor, extraído do Portal da Transparência da Controladoria Geral da União, ilustra o grande desequilíbrio entre os recursos transferidos e recebidos pelo Estado, na avaliação da Apeop.

Isso significa que, enquanto São Paulo contribui com 40% das receitas da União, o Estado recebe de volta apenas 7,18%. O razoável, para o presidente da Apeop, Luciano Amadio Filho, é que pelo menos 10% fossem devolvidos. “Teríamos um salto de R$ 17 bilhões”, diz. “Daria para construir duas linhas de metrô por ano só com essa diferença”, diz. É mais de três vezes o volume necessário para superar a crise hídrica, segundo Gesner Oliveira, da GO Associados.

O Estado do Maranhão repassou R$ 6,17 bilhões à União e recebeu R$ 14,77 bilhões em 2013.

No boletim, a associação diz que a transferência de recursos das regiões mais ricas para as mais pobres é desejável: "Porém, quando a diferença entre esses valores é exagerada, o volume de recursos para projetos estruturantes nos Estados doadores torna-se insuficiente e pode criar uma armadilha para o crescimento." Em 2009, São Paulo recebeu 12,38%, a maior fatia dos últimos sete anos. 

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