Fabio Motta/Estadão
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Com maior recuo em quase dez anos, dólar cai 5,35% e fecha em R$ 3,70

Recuo foi o maior desde o dia 24 de novembro de 2008, quando caiu 5,52%; Bolsa fechou em baixa de 1,23%

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

08 Junho 2018 | 10h05
Atualizado 08 Junho 2018 | 23h38

Após o Banco Central anunciar uma oferta adicional de US$ 20 bilhões para frear a escalada do dólar, nesta sexta-feira, 08, foi a vez de o Tesouro Nacional mostrar que tem munição para conter o pânico do mercado financeiro. O órgão anunciou que vai manter na próxima semana os leilões diários de recompra de títulos públicos, para dar uma saída a investidores que querem se desfazer dos papéis da dívida brasileira e reduzir a pressão no mercado de contratos futuros de juros.

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A atuação conjunta do BC e do Tesouro surtiu efeito: depois de encostar nos R$ 4,00 na quinta-feira, o dólar desabou nesta sexta-feira. A moeda americana fechou em queda de 5,35%, cotada a R$ 3,70, o maior recuo desde 24 de novembro de 2008, quando o País enfrentava o auge das turbulências provocadas pela crise financeira internacional originada pelos títulos sub prime do mercado de imóveis dos Estados Unidos . Os juros futuros também recuaram. 

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O Ibovespa chegou a ensaiar uma alta pela manhã, mas encerrou em baixa pela quarta vez consecutiva (-1,23%), ficando abaixo dos 73 mil pontos e acumulando perda semanal de 5,56% com a continuidade da aversão ao risco doméstico. 

Analistas afirmam, porém, que o mercado segue muito sensível e que a instabilidade deve continuar nos próximos dias, reagindo principalmente a resultados de pesquisas eleitorais aguardados para o fim de semana e ao cenário externo.

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Diante dessa perspectiva, o Tesouro já avisou que vai continuar recomprando títulos da dívida até o fim de junho, numa tentativa de dar maior previsibilidade aos investidores após críticas de que havia pegado o mercado de surpresa ao anunciar as intervenções extraordinárias. O Tesouro ainda vai avaliar se, após a semana que vem, haverá necessidade de que esses leilões continuem sendo diários.

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“Tudo que está acontecendo na economia, todos os riscos, o que é normal em ano de eleição e com o cenário externo atual. Todo o mecanismo de coordenação da equipe econômica está funcionando”, disse o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, que afirmou que as críticas são bem-vindas e forçam o órgão a dar “mais transparência” às suas ações.

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A estratégia de atuação foi traçada em sintonia com o Banco Central, que também vai atuar até o fim da semana que vem com uma oferta adicional de US$ 20 bilhões em contratos de swap (que equivalem à venda futura de dólares). O BC indicou ainda que pode promover leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) ou vender reservas, se necessário.

No caso do Tesouro, é possível que as recompras de títulos se estendam pelos próximos meses, mas essa decisão dependerá de nova avaliação sobre as condições do mercado. Almeida afirmou ainda que o governo tem poder de fogo para aumentar o volume de compra, caso seja necessário.

O subsecretário da Dívida Pública, José Franco Morais, fez questão de ressaltar que não há registro de uma debandada maciça de investidores estrangeiros. Segundo ele, há entre os não residentes maior demanda por compra de títulos brasileiros do que para se desfazer dos papéis.

Estratégia. Essa procura inclusive levou o Tesouro a mudar sua estratégia na noite de quarta-feira (6) e anunciar a retomada da emissão de títulos de prazo mais curto (até dez anos), mas em volumes menores. Almeida deixou claro também que o governo não vai referendar taxas de juros muito elevadas pedidas pelos investidores para financiar o País. Segundo ele, as condições fiscais e econômicas no curto prazo não se deterioraram para justificar um custo muito maior para o Brasil se financiar no mercado.

O secretário do Tesouro destacou que o governo conta hoje com um colchão de liquidez de R$ 575 bilhões, suficiente para cobrir nove meses de vencimentos de sua dívida, o que deixa o governo confortável para interromper a emissão de títulos públicos de prazo mais longo “até que a situação melhore”, caso necessário. “Não faz sentido vender título longo com taxa de juros de 13% ao ano. Ninguém espera que o Brasil terá taxas de inflação tão altas”, afirmou.

Almeida disse que a situação atual é “radicalmente diferente” de 2002, quando o mercado também entrou em pânico diante da expectativa de eleição de Luiz Inácio Lula da Silva. Ele citou a inflação baixa, o alto nível de reservas internacionais e os juros básicos na mínima histórica. “Não dá para comparar segurança que temos hoje, seja em instrumentos ou financiamento, com 2002. As condições hoje são muito mais benignas”, disse.

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