Após acordo, Grupo Cosan planeja criar companhia de logística integrada

Estratégia. Negociações para a incorporação da ALL pela Rumo, controlada pelo grupo do empresário Rubens Ometto, estão avançadas; nova empresa pretende unir modais ferroviário, rodoviário e portuário para escoamento de produtos até o Porto de Santos

MÔNICA SCARAMUZZO, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2014 | 02h42

O empresário Rubens Ometto Silveira Mello, fundador do grupo Cosan, traçou planos ambiciosos para a nova empresa que será criada a partir da incorporação da ALL (América Latina Logística) pela Rumo. O projeto traçado por Ometto é criar uma companhia de logística integrada, unindo ferrovia, rodovia e porto, em um modelo de negócio que ainda não existe no País.

No acordo que está em discussão e que deverá ser anunciado nos próximos dias, a Cosan será a maior acionista e ditará as regras. Ontem, os papéis da ALL encerraram em alta de 19,4%, R$ 6,45, após notícia publicada pelo jornal Valor Econômico de que a conclusão do negócio será na semana que vem. As ações da Cosan fecharam com elevação de 5%, a R$ 36,47.

"A ideia é focar na recuperação da capacidade de transporte da ALL, que hoje tem uma demanda reprimida", disse uma fonte ao Estado. Atualmente, dos volumes de soja que chegam ao porto de Santos, cerca de 60% são via férrea. No caso do açúcar, apenas 20% chegam ao local por trilhos. No caso da celulose, 65% são escoados por trem. "A nova companhia fará pesados investimentos para recuperar a capacidade de escoamento da ALL e ampliar a malha (ferroviária)", disse a mesma fonte. Os planos serão colocados em prática após aprovação do Cade.

A criação de uma empresa de logística integrada é um sonho antigo da Cosan. Ao criar a Rumo, em 2008, a companhia começou a ganhar espaço no escoamento de açúcar, atendendo sua própria demanda, uma vez que o grupo já era o maior produtor de açúcar e álcool.

A divisão de logística da companhia foi ganhando espaço e atendendo a outras usinas do setor. Para integrar os negócios, a Cosan vai participar dos leilões para concessões de terminais no porto de Santos, onde já opera dois terminais.

A expansão da Rumo, contudo, não dependia apenas de investimentos orgânicos. As conversas com a ALL começaram àquela época, mas não avançaram, e uma oferta foi formalizada em fevereiro de 2012, quando a Cosan fez a proposta de cerca de R$ 900 milhões para entrar no bloco de controle da companhia. Originalmente, a proposta foi feita para os empresários Wilson de Lara e Ricardo Arduini e seu esposa Júlia. Mas os fundos de pensão Previ e Funcef, além do BNDESPar, braço de participações do BNDES, que fazem parte do bloco, se opuseram e queriam também ser favorecidos pela proposta. As negociações duraram um ano e meio e foram interrompidas em agosto passado. Em outubro, as duas companhias entraram em litígio.

Nesse novo acordo que está sendo costurado, a Rumo e seus acionistas - fundos TPG e Gávea - terão de 35% a 40% (a Cosan ficará com 20% a 25% de participação). O restante ficará com os acionistas da ALL.

A Cosan ganhou o apoio do governo para que o negócio fosse levado adiante, uma vez que o governo entende que a entrada da Cosan poderá fortalecer a companhia. Conhecida pela gestão agressiva, a Cosan deverá promover mudança no corpo de executivos da nova empresa.

Em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Cosan e ALL informaram que as negociações avançaram, mas não foram concluídas.

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