Após acusação de suborno no México, Wal-Mart tem uma das piores crises de sua história

Ações da empresa despencaram na Bolsa de Valores de Nova York, chegando a perder 5% de seu valor ao longo do dia

Gustavo Chacra, Correspondente ,

23 de abril de 2012 | 18h33

NOVA YORK - O Wal-Mart, principal rede de varejo do mundo, enfrenta uma das maiores crises administrativas de sua história depois de a sua filial no México ter sido acusada de subornar autoridades do país em reportagem publicada no New York Times.

As ações da empresa despencaram na Bolsa de Valores de Nova York, chegando a perder 5% de seu valor ao longo do dia. Analistas preveem uma batalha legal para a companhia que pode durar anos. Alguns dos principais executivos da empresa correm o risco de perder seus empregos.

De acordo com o New York Times, o Wal-Mart não levou adiante uma investigação para apurar se o seu braço mexicano, conhecido como WalMex, subornou autoridades do país para abrir filiais. Hoje uma em cada cinco lojas da rede de varejo se localiza no México.

Inicialmente, o Wal-Mart teria enviado uma missão para verificar os gastos de US$ 24 milhões com suborno. Depois de descobrir as irregularidades, segundo a reportagem do New York Times, a sede nos EUA não teria levado adiante o caso e tampouco teria informado a Justiça mexicana e americana.

Depois de avisado pelo New York Times de que seria publicada uma reportagem sobre o escândalo, o Wal-Mart entrou em contato com a Securities and Exchanche Comission (SEC, uma espécie de Comissão de Valores Mobiliários dos EUA) e com o Departamento de Justiça. Os dois órgãos não comentaram o episódio.

Caso comprovadas as acusações, o Wal-Mart terá violado a Lei de Práticas Corruptas no Exterior, do Departamento de Justiça americano, que já pediu explicações à empresa.

Um dos envolvidos é o atual vice-presidente do Wal-Mart, Eduardo Castro-Wright, que depois de dirigir a WalMex assumiu o comando da empresa nos Estados Unidos. A especulação é de que ele possa ser removido do cargo enquanto as investigações prosseguem.

Em seu site na internet, o Wal-Mart afirmou que "não tolera o descumprimento da Lei Contra Práticas de Corrupção no exterior em nenhum nível da empresa e em nenhum lugar". Segundo David Tovar, vice-presidente de comunicação corporativa, "uma investigação começou em meados do ano passado".

O Wal-Mart possui lojas em 27 países, incluindo o Brasil, e atende 200 milhões de clientes por semana. Ao todo, a empresa emprega 2,2 milhões de pessoas e suas vendas devem atingir US$ 444 bilhões neste ano.

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