Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Após adiar corte no Orçamento, governo limita gastos a R$ 146,6 bilhões até março

Limitação é uma espécie de ‘tampão’ até o governo anunciar o contingenciamento definitivo para o ano

Rachel Gamarski, Lorenna Rodrigues e Victor Martins, O Estado de S.Paulo

12 Fevereiro 2016 | 19h43

O governo publicou nesta sexta-feira, 12, uma edição extra do Diário Oficial da União com o decreto de Programação Orçamentária e Financeira do poder Executivo, autorizando a movimentação e empenho de R$ 146,6 bilhões até março. A limitação é uma espécie de "tampão" até o governo anunciar o contingenciamento definitivo para o ano, o que pode ocorrer apenas em março, junto com o revisão bimestral de receitas e despesas. 

O decreto mantém a expectativa de superávit primário de R$ 24 bilhões para o ano. De janeiro a abril, a expectativa é de que o governo faça um superávit primário de R$ 8,8 bilhões. No acumulado até agosto, a estimativa é de que o primário fique em R$ 12,883 bilhões. 

De acordo com o decreto, a estimativa de receitas é de R$ 1,089 trilhão, sendo que, desse total, R$ 889,549 milhões são administradas pela Receita Federal. Para a Previdência Social, a estimativa é de um déficit de R$ 129,785 bilhões. O governo publicou ainda um cronograma mensal de pagamento de restos a pagar até dezembro e um cronograma de desembolsos para o poder Executivo. 

A limitação de empenho anunciada há pouco não atinge despesas obrigatórias como gasto com pessoal. 

Adiamento. Com dificuldades para cortar despesas, o governo decidiu adiar o anúncio do congelamento de gastos deste ano. A ideia agora é, antes disso, preparar até março uma reforma fiscal ampla e também anunciar no início do mês a reforma da Previdência. 

O governo espera ainda aprovar até lá o Projeto de Emenda Constitucional (PEC) da Desvinculação de Receitas da União (DRU) e a CPMF, o que daria um reforço nas receitas do governo.

O adiamento foi visto com ressalva por analistas, que entenderam como um sinal de que a meta fiscal do ano, de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB), não será cumprida.

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