André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Após alta do IPCA em fevereiro, economistas passam a prever inflação de 4,60% neste ano

Segundo o relatório Focus, divulgado pelo Banco Central, analistas do mercado financeiro elevaram as projeções pela décima semana seguida; aposta é de alta nos juros já na reunião do Copom desta semana

Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

15 de março de 2021 | 10h00

Os economistas do mercado financeiro elevaram pela décima semana consecutiva a previsão para o IPCA - o índice oficial de preços - em 2021. O Relatório de Mercado Focus, divulgado nesta segunda-feira, 15, pelo Banco Central, mostra que a projeção para o indicador este ano foi de alta de 3,98% para 4,60%. Há um mês, estava em 3,62%. A projeção para o índice em 2022 permaneceu em 3,50%. 

Na semana passada, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA de fevereiro ficou em 0,86%, maior alta para o mês desde 2016, acumulando aumento de 5,20% no período de 12 meses.

O relatório Focus trouxe ainda a estimativa para o IPCA em 2023, que seguiu em 3,25%, e em 2024, que permaneceu em 3,25%. 

A projeção dos economistas para a inflação está bem acima do centro da meta oficial de 2021, de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto (de 2,25% a 5,25%). Para 2022, a meta é de 3,50%, também com margem de 1,5 ponto (de 2,00% a 5,00%).

O analistas elevaram suas projeções para a Selic (a taxa básica de juros) no fim de 2021 de 4,00% para 4,50% ao ano, segundo o relatório Focus. No caso de 2022, a projeção seguiu em 5,50% e, de 2023, em 6,00%.

Em janeiro, ao manter a Selic em 2,00% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central preparou o terreno para possível elevação dos juros em 2021. Isso porque a instituição deu fim ao chamado forward guidance (ou prescrição futura, na tradução do inglês).

Adotado em agosto de 2020, o forward guidance era uma indicação técnica do BC de que não pretendia elevar os juros se a inflação seguisse sob controle e o risco fiscal não se alterasse. O problema é que, nos últimos meses, a inflação ao consumidor está mais salgada, puxada por aumentos de preços em itens como alimentos e gasolina.

O Copom se reúne novamente nesta terça e quarta-feiras, 16 e 17. Das 54 instituições do mercado financeiro consultadas pelo Projeções Broadcast, 52 esperam aumento dos juros básicos já nesta reunião, sendo que 48 estimam que a taxa suba de 2,00% para 2,50%, três veem alta de 0,25 ponto e uma espera aperto mais intenso, de 0,75 ponto. Para o fim de 2021, a mediana das apostas é de 4,5%, com expectativas indo de 3% a 6%.

As projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) este ano foram reduzidas de 3,26% para 3,23% - há um mês a estimativa era de 3,43%. Para 2022, o mercado financeiro mudou a previsão do PIB de alta de 2,48% para 2,39%.

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