Após ano de trégua, gargalos da economia preocupam

O forte crescimento do mercado interno e a expectativa de safra recorde de grãos devem ressuscitar antigos problemas da infraestrutura brasileira. Com a crise internacional, que derrubou a demanda no mundo inteiro, o País ganhou alívio nos portos, ferrovias, estradas e energia elétrica. Mas essa folga começa a fazer parte do passado. Prova disso é que os principais indicadores do setor, como venda de caminhões, consumo de diesel e fluxo nas estradas, já alcançaram ou estão bem próximos dos patamares do pré-crise.

RENEE PEREIRA, Agencia Estado

01 Janeiro 2010 | 08h24

A maior preocupação de especialistas e empresários está na logística de transporte, que andou pouco durante este ano por causa da retração dos investimentos. Só o acréscimo de 5,47 milhões de toneladas de grãos, previsto para a safra 2009/2010, vai elevar de forma expressiva o numero de caminhões nas estradas nacionais. Se todo esse volume fosse transportado por rodovias, seriam necessários 160 mil caminhões.

Isso porque a expansão das ferrovias não foi suficiente para chegar em algumas áreas produtoras, como o Mato Grosso, diz o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. Segundo ele, embora seja o maior produtor de soja do País, responsável por 26% da produção nacional, o Estado tem apenas alguns "míseros" quilômetros de ferrovias na fronteira com Goiás. O que acaba empurrando a carga para as rodovias, já que a hidrovia também tem baixa capacidade.

Além da safra, o aquecimento da economia interna também deve elevar o movimento das estradas, hoje responsável por 62 de tudo que é transportado no País (se for excluído o transporte de minérios, a participação das rodovias sobe para 85%). "Vamos crescer em cima do caminhão", afirma o professor da Coppead/UFRJ, Paulo Fleury, diretor executivo do Instituto de Logística e Supply Chain (Ilos). Na avaliação de Fleury, o País está próximo de retomar a situação do início de 2008, quando as transportadoras escolhiam os clientes para atender. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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