Jung Yeon-je/AFP
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Coluna

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Mercados internacionais fecham sem sinal único após decisão de Trump de barrar estímulos

Como muitas das bolsas já estavam fechadas, decisão do presidente dos EUA de interromper as negociações de novos incentivos até as eleições pesou hoje; em Nova York, ata do Fed ajudou

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de outubro de 2020 | 07h30
Atualizado 07 de outubro de 2020 | 18h42

A maioria das Bolsas da Ásia encerrou o pregão desta quarta-feira, 7, em alta, ajudada pela proposta de orçamento australiano, bem recebida pelo mercado, e por ganhos em ações do setor de tecnologia. A exceção se deu no mercado de Tóquio, onde a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de interromper as negociações com a oposição em torno de um novo pacote fiscal para o país teve peso maior, assim como aconteceu nos índices europeus. Nova York, porém, subiu, apoiada pela divulgação da ata de reunião do Federal Reserve (Fed, o BC americano).

Em alguns mercados nesta quarta, o clima azedou quando o presidente americano disse no Twitter que instruiu os republicanos a não negociarem mais novos estímulos com os democratas até as eleições de novembro. "Imediatamente após minha vitória, aprovaremos uma importante lei de estímulo que se concentra nos americanos trabalhadores e nas pequenas empresas", escreveu.

"Os mercados têm lutado para encontrar uma direção clara nas últimas semanas devido à falta de catalisadores positivos e ao aumento do número de incertezas que afetam o humor", avalia o analista de mercados da australiana AxiCorp, Milan Cutkovic. "A volatilidade só vai aumentar antes das eleições nos EUA e o rali está com pernas trêmulas".  

Ainda hoje, o tema voltou a ser palco de discussão durante a divulgação da ata do Fed. A entidade renovou a sua postura de continuar apoiando a economia americana no que for necessário, mas cobrou por novas medidas de incentivo. Um dos dirigentes do Fed disse ainda que "mais medidas fiscais tornariam a economia mais forte"

Bolsas da Ásia 

Os mercados asiáticos foram favorecidos pelo governo da Austrália, que anunciou hoje sua proposta de orçamento para o próximo ano fiscal, com aumento do déficit público para cerca de 213,7 bilhões de dólares australianos (US$ 151,8 bilhões), ou 11% do Produto Interno Bruto (PIB) local. Serão concedidos US$ 257 bilhões em apoio econômico direto, em cortes de impostos e programas sociais. O apoio fez a bolsa australiana encerrar com alta de 1,25%. 

Acompanharam o tom o australiano o índice Hang Seng, de Hong Kong, que subiu 1,07% e o índice Kospi, de Seul, que avançou 0,89%. Na capital sul-coreana, o setor de tecnologia puxou os ganhos, com as ações da Samsung subindo 1,50% e as da LG, 1,80%. Contrariando os pares, porém, o índice japonês Nikkei fechou o dia em leve queda, de 0,05%, com a canetada de Trump. Já os índices acionários da China continental seguem fechados, em virtude do feriado do Dia Nacional. Os negócios devem ser retomados apenas na semana que vem. 

Bolsas da Europa 

Os índices da Europa ficaram sem direção única nesta quarta, também de olho na decisão do presidente americano de barrar os estímulos até as eleições. Como os mercados europeus já estavam fechados após a série de tuítes de Trump, o reflexo apareceu nesta manhã. "Esses tuítes parecem ter interrompido o movimento de propensão ao risco", observa o holandês Rabobank, em relatório a clientes.

Ainda em Frankfurt, o resultado da produção industrial da Alemanha desagradou, com queda de 0,2% em agosto ante julho, em termos ajustados, informou nesta quarta-feira a Destatis. A expectativa era de alta do indicador em 1,5%.

Por lá, o Stoxx 600 encerrou com baixa de 0,12%, enquanto a bolsa de Londres caiu 0,06% e a de Paris recuou 0,27%. Frankfurt ainda teve fôlego para fechar com alta de 0,17% e Milão subiu 0,03%. Lisboa e Madri fecharam com quedas de 0,09% e 0,38% cada.

Bolsas de Nova York

As bolsas de Nova York fecharam o pregão desta quarta-feira em alta, com o foco do mercado em possíveis estímulos direcionados ao setor aéreo nos Estados Unidos.  "As aéreas, definitivamente, precisam de mais ajuda", declarou o diretor do Conselho Econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, em entrevista à CNBC. De acordo com o assessor, Trump conversou hoje com o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, sobre o assunto.

"O sentimento positivo foi impulsionado pela esperança de um renascimento nas negociações de estímulo dos EUA depois que o presidente Trump tuitou que estava disposto a assinar partes do projeto imediatamente", comenta o analista Boris Schlossberg, da BK Asset Management, em referência a publicações feitas pelo presidente americano no Twitter, no fim da noite de ontem, em que defende a ajuda financeira a aéreas e outras medidas direcionadas. Porém, o analista destaque as chances de estímulos ao setor ainda parecem nulas no atual momento.

No setor aéreo, as ações da American Airlines subiram 4,31% e as da United Airlines se valorizaram 4,30%. No setor de tecnologia, Amazon avançou 3,09% e Apple ganhou 1,70%. Hoje, Dow Jones fechou com ganho de 1,91%, S&P 500 avançou 1,74% e o Nasdaq teve alta de 1,88%. 

Petróleo 

Com menor apetite por risco e perspectivas de menos apoio à economia, o petróleo caiu interrompeu a retomada na semana, que havia impulsionado ações do setor até aqui. Em Londres, a BP fechou em baixa de 2,04%, e a Royal Dutch Shell teve queda de 1,33%. Em Paris, a Total recuou 1,19%.

"O mercado ficou sob pressão desde os negócios da madrugada na Ásia, com as negociações de estímulo dos EUA fracassando, e agora parece improvável que veremos um pacote de estímulo até depois das eleições nos EUA", apontou o ING. A visão é corroborada por relatório enviado a clientes pelo Commerzbank: "A notícia de que o presidente Trump dos EUA pretende adiar as negociações sobre ajuda econômica para depois das eleições está pesando nos preços hoje, com certeza".

Ainda em relatório divulgado hoje, o Departamento de Energia (DoE, na sigla em inglês) dos EUA apontou que os estoques do país na última semana não teve grande impacto nos preços, que seguiram recuando após a informação de que os estoques de petróleo subiram 501 mil barris, enquanto analistas ouvidos pelo Wall Street Journal apontavam queda de 100 mil.  

Hoje, o WTI para novembro caiu 1,77%, a US$ 39,95 o barril, enquanto o Brent para dezembro recuou 1,55%, a US$ 41,99 o barril./MAIARA SANTIAGO, MATHEUS ANDRADE E IANDER PORCELLA

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