Após anúncio do Fed, Tombini fala em manter estratégia sobre câmbio

No Senado, presidente do BC grante ter ‘rol de instrumentois’ para proteção dos agentes econômicos em meio às incertezas do mercado; BC dos EUA continuará injetando US$ 85 bilhões mensais na economia mundial

Célia Froufe e Eduardo Rodrigues, da Agência Estado,

18 de setembro de 2013 | 16h08

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, destacou nesta quarta-feira, 18, em audiência pública na Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Senado, que a estratégia do Banco Central é "clara" em relação à oferta de proteção cambial aos agentes.

"Continuaremos usando nosso amplo rol de instrumentos", disse. "Essa estratégia estará presente durante todo o período de transição do mundo atual com o de maior crescimento da economia global", afirmou.

"O BC e o governo tomaram uma série de medidas para reduzir fluxo de capitais de curto prazo", disse ele.

Na época de "dinheiro mais fácil", segundo Tombini, o BC foi prudente, antecipando-se ao processo de inversão.

O Federal Reserve (Fed, o banco central do Estados Unidos) anunciou nesta quarta, 18, manter seu programa de estímulos à economia americana - na prática, o plano consiste em injetar US$ 85 bilhões mensais nos mercados.

A expectativa de diminuição desse montante ou mesmo a suspensão total do programa foi frustrada. Os dados de desemprego de agosto dos Estados Unidos ficaram nos 7,3% da força de trabalho - acima do desejado pela autoridade monetária dos Estados Unidos.

A suspensão do programa do Fed também implicaria o aumento de juros básicos nos Estados Unidos, hoje nos 0%. Um eventual aumento desses juros, por consequência, puxaria para cima os rendimentos nos Estados Unidos. Países que, como Brasil, vêm tendo nos últimos tempos suas moedas valorizadas pelos investimentos antes feitos nos Estados Unidos temem pela fuga de capitais. E pela decorrente depreciação de suas moedas.

No Senado, Tombini, disse também disse a utilização de derivativo de swap cambial, desde março, tem se mostrado importante instrumento para coibir a alta do real. Afirmou que a ferramenta é essencial para reduzir a volatilidade, para prover liquidez e proteger o mercado de disfunções.

Tombini declarou que o cenário econômico internacional tem estado sujeito a uma alta volatilidade nos últimos meses, mas destacou que há um processo de transição positiva na economia mundial, com a recuperação da economia dos Estados Unidos, que é a maior do mundo.

Esse ritmo de recuperação, diz Tombini, é positivo para o Brasil.

Mercado doméstico. Tombini salientou no Senado que a inflação brasileira ainda está em patamares desconfortáveis - embora já tenha retomado a tendência de declínio após o pico de alta verificado há alguns meses.

Ele salientou para parlamentares que a desvalorização e volatilidade do câmbio ensejam correção "natural e esperada" dos preços relativos da economia.

"No médio e longo prazos, a correção será favorável; no curto, é fonte de pressão", afirmou. Por isso, de acordo com o presidente, a condução da política monetária vai limitar esse repasse para os índices de preços aos consumidores em um "horizonte relevante".

Ao afirmar que a inflação é um tema caro para o Banco Central, Tombini lembrou que num passado recente a inflação sofreu choques externos não desprezíveis.

Pessimismo. O presidente do Banco Central avaliou que a percepção dos agentes econômicos ainda está mais pessimista do que a realidade revelada pelos números da economia.

Ressaltou que o crescimento do PIB no segundo trimestre do ano foi de 1,5% na comparação com os três meses anteriores e que essa expansão, quando anualizada, representa um crescimento de "mais de 6%".

"Além disso, a composição do crescimento é promissora", afirmou. "O crescimento tem se materializado, ainda que de forma gradual."

 

 

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