Após apagão, governo tenta reagir e oposição critica

Em ano de eleição, Planalto tenta se blindar dos danos de problemas no setor elétrico, enquanto a oposição eleva o tom contra o governo

Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo,

06 de fevereiro de 2014 | 21h46

BRASÍLIA - A reação de Dilma Rousseff à hipótese levantada pelo ONS de que um raio poderia ter provocado o apagão de terça-feira mostra uma preocupação com os efeitos que esse eventos podem provocar na imagem da presidente, em ano de eleição. Ela foi ministra das Minas e Energia e sua imagem de gestora está intimamente ligada a esta área, considerada "muito sensível". E o governo sabe dos estragos provocados pelo racionamento de energia na sucessão de Fernando Henrique Cardoso.

Em dezembro de 2012, Dilma havia afirmado que não havia a possibilidade de raios provocarem apagões no Brasil. "Se falarem para vocês que caiu um raio, vocês gargalhem. Raio cai todo dia nesse País, a toda hora. Raio não pode desligar sistema. Se desligou, é falha humana", disse, durante café da manhã com jornalistas.

Ela voltou a bater na mesma tecla, ao afirmar que o sistema é à prova de raios e sugerir que as empresas precisam manter em dia os investimentos na rede de proteção. "O sistema elétrico brasileiro foi montado para ser a prova de descargas elétricas, com uma gigantesca rede de para-raios", disse o ministro da Secretaria de Comunicação, Thomas Traumann, lendo uma declaração da presidente.

Nesse período de reservatórios das usinas hidrelétricas em queda, por conta da falta de chuvas, e de consumo excessivo de energia, por conta do calor, o governo tem se preocupado em afirmar que o País não corre risco de racionamento. No dia anterior ao apagão, o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, havia afirmado categoricamente que não havia risco de repetição do quadro de 2001, de falta de energia no País.

Dilma está tão preocupada com os reflexos de um apagão e o quanto isso poderá respingar em sua campanha que tem feito reuniões periódicas para acompanhar o assunto de perto. Tanto que, no dia do apagão, que aconteceu às 14 horas, Dilma tinha se reunido por mais de uma hora com Lobão, o secretário executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann, e Mauricio Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética.

A justificativa que a presidente Dilma tem ouvido dos técnicos do Ministério para os problemas nos reservatórios de água do País é que o país enfrentou a maior seca dos últimos 70 anos, no Nordeste, no ano passado, e agora em janeiro, está enfrentando a maior seca dos últimos 50 anos, no Sudeste.

Oposição. No Congresso, a oposição aproveita para tentar ganhar pontos em cima do apagão. O líder da minoria na Câmara, deputado Domingos Sávio (PSDB-MG), afirma que, ao levantar a possibilidade de um raio como causa do apagão, o governo tenta "enganar" a população sobre os problemas do sistema elétrico. "É um governo irresponsável, incompetente e especialista na arte de enganar para tentar esconder os problemas", diz. "Não fizeram o planejamento e os investimentos que tinham de ser feitos e não assumem as falhas."

O presidente do Democratas, senador Agripino Maia (RN), disse que uma série de fatores levou ao "colapso" do setor: elevadas temperaturas, alto consumo de energia, decorrente da compra de eletrodomésticos estimulada pela redução de imposto, o baixo nível dos reservatório e a redução das tarifas. "O governo mais uma vez está dando explicações, não está tomando providências", disse. / COLABOROU RICARDO BRITO

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