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Com a medida, governo quer reforçar o sistema elétrico para evitar novos blecautes. Twitter/Waldez Goes

Após apagão, governo vai propor construção de mais uma subestação no Amapá

Governo ressaltou que medida também está sendo estudada para todos os Estados que apresentam problemas no fornecimento de energia e descartou o risco de apagões no País

Marlla Sabino, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2020 | 20h22

BRASÍLIA - Após um apagão no Amapá, o Ministério de Minas e Energia propôs a instalação de uma nova subestação de energia e a construção de uma linha de transmissão para reforçar o sistema elétrico e evitar um novo blecaute.

No mês passado, 14 dos 16 municípios do Estados ficaram quase quatro dias sem energia e outros vinte dias com racionamento após uma explosão na subestação Macapá. A subestação atingida recebe 95% da energia consumida no estado.

De acordo com o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético do MME, Paulo Cesar Magalhães Domingues, a previsão é que os estudos necessários para a licitação sejam concluídos até abril de 2021. Nesse cronograma, a previsão é que os leilões sejam realizados em dezembro do ano que vem.

A intenção é construir uma segunda subestação na Capital do Estado, Macapá. Em relação à linha de transmissão, Domingues explicou que há duas possibilidade em estudos: conectar ao Sistema Interligado Nacional (SIN), ou seja, com todo o setor elétrico do País, ou com as usinas que geram energia para abastecer o Estado.

As propostas são baseadas em um estudo elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE). "O ministério solicitou à Empresa de Pesquisa Energética [EPE] para fazer um estudo de identificação de alternativa para ampliar a confiabilidade ao suprimento de Macapá e as demais localidades ligadas à capital", explicou o secretário.

Ele ressaltou que as soluções não estão sendo estudadas apenas para o Amapá, mas para todos os Estados que apresentam maior complexidade para o fornecimento de energia elétrica.  

Ministro descarta racionamento de energia

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que não há possibilidade alguma de racionamento de energia ou blecautes no Brasil em função da situação hídrica. O período de estiagem, que levaram a baixa dos reservatórios de hidrelétricas, e a retomada do consumo de energia, obrigou o governo a acionar usinas termelétricas, que geram energia mais cara.

A piora nas condições de abastecimento de energia levou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) determinar a volta da cobrança das bandeiras tarifárias imediatamente. Na última semana, a agência determinou o acionamento da bandeira vermelha 2, nível mais alto do sistema de bandeiras tarifárias. A medida representa uma cobrança adicional de R$ 6,24 a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidores.

Em coletiva de imprensa, Albuquerque negou que tenha acontecido qualquer tipo de interferência do governo na decisão da Aneel. "Não há hipótese de interferência em nenhum dos órgãos vinculados à pasta. Respeitamos a competência", afirmou.

A possibilidade de haver racionamento de energia elétrica no Brasil, por causa da falta de chuvas, foi levantada pelo próprio presidente Jair Bolsonaro. A declaração foi dada ao comentar o acionamento da bandeira tarifária pela Aneel. "O pessoal critica. Agora, se eu não fizer nada, daqui a um mês, se não chover, você pode ir para um racionamento, até poder ter apagão."

Como o Estadão/Broadcast mostrou, no entanto, Os últimos dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostram que as preocupações com um eventual desabastecimento – como chegou a expressar o próprio presidente Jair Bolsonaro na semana passada – podem ficar para trás. A previsão do órgão para dezembro era que as vazões (quantidade de água que chega aos reservatórios) atingissem 47% da média histórica no Sudeste e 64% no Sul. Na primeira revisão de dezembro, a projeção subiu para 60% no Sudeste e 143% no Sul.

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Empresa terá até março para entregar relatórios sobre apagão no Amapá

Incêndio que deixou o Estado no escuro teria ocorrido após uma série de falhas técnicas da concessionária, que tinha um equipamento em manutenção desde dezembro de 2019

Marlla Sabino, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2020 | 23h14

BRASÍLIA - A Linhas de Macapá Transmissora de Energia (LMTE) terá até março de 2021 para apresentar os resultados de análises técnicas para determinação da causa de falhas que levaram a um apagão no Amapá. O blecaute atingiu 14 dos 16 municípios do Estado, que ficaram sem energia elétrica por quase quatros dias seguidos, além de um racionamento que durou semanas.

O prazo para apresentação dos documentos está previsto no relatório de análise de perturbação divulgado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS) nesta segunda-feira, 7.

De acordo com relatório, em 3 de novembro, um curto-circuito danificou um dos transformadores da subestação Macapá, que pegou fogo. Na sequência, ocorreu o desligamento automático de um segundo equipamento, "causado por sobrecarga", deixando o Estado no escuro. Já o terceiro equipamento, que serve como "backup" para evitar apagões, estava em manutenção desde dezembro de 2019.

Assim como está no relatório, o diretor-geral do ONS, Luiz Carlos Ciocchi, afirmou que a queda de energia teve início com um curto-circuito, que  pode ter sido causado por um "defeito estrutural". "O curto circuito que gerou a explosão pode ter sido causado por efeito estrutural ou resultado da falha do isolamento da subestação", afirmou em coletiva de imprensa no Ministério de Minas e Energia.  

Segundo ele, a subestação Macapá só precisa de dois transformadores para suprimento do consumo de energia dos municípios atendidos, e reconheceu que o ONS tinha conhecimento de que um equipamento estava danificado. "Nesse evento perdemos dois transformadores. Mesmo com outro transformador se o evento tivesse ocorrido como ocorreu, e aí temos vários 'se', ainda ficaríamos com um transformador e isso aguentaria 60%, 70% da carga”, disse.

Ciocchi classificou o apagão no Amapá como de "baixíssima probabilidade''. "Como já foi classificado: intolerável e inadmissível. Portanto, já adianto que o ONS, juntamente com o ME [Ministério de Minas e Energia], e com a Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] está elaborando um processo de comunicação mais ágil para que as situações próximas a esse limite sejam detectadas com maior intensidade”, afirmou o diretor-geral da ONS.

O relatório elaborado pelo ONS se restringe aos detalhes técnicos da ocorrência no Amapá e não apresenta culpados pelo apagão.O documento traz uma série de determinações com prazos a serem cumpridos. Já a punição dos responsáveis cabe à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O processo de apuração é longo e deve levar de seis meses a um ano. 

A LMTE terá direito à ampla defesa no processo. A linha pertence à Gemini Energy, empresa que pertence aos fundos de investimento Starboard e Perfin, com 85,04% de participação, e à Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), autarquia do governo federal, com 14,96%.  

"Nós não estamos procurando os culpados, mas existem responsáveis. No setor elétrico, a concessionária, o agente, ele é sempre responsável por toda administração de todo aquele ativo que ele tem sobre sua responsabilidade. Portanto, a LMTE tem a responsabilidade e já foi até penalizada pela indisponibilidade daquele transformador", afirmou o diretor-geral do ONS. 

Em nota à imprensa, a LMTE informou que a investigação sobre as causas do apagão "segue em curso”. “Qualquer apontamento sobre o que ocasionou a explosão do equipamento, antes que a investigação seja finalizada, é especulativo e não deve ser levado em consideração", diz a nota. 

A empresa também afirma que a retirada do transformador para manutenção foi previamente documento ao Operador Nacional do Sistema e que implementou todas as recomendações feitas pelo Gabinete de Crise instalado por conta do apagão. 

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