Após aperto no crédito, renegociação de dívidas cai 3,8%

O primeiro efeito das medidas adotadas pelo Banco Central (BC) no mês passado para esfriar o crédito recaiu sobre o consumidor inadimplente. Pesquisa preliminar da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) indica que o número de carnês com prestações em atraso que foram renegociados caiu 3,8% na primeira quinzena deste mês, em relação a igual período de 2010.

AE, Agencia Estado

18 de janeiro de 2011 | 09h32

Esta foi a primeira variação negativa na comparação anual, depois de mais de um ano de crescimento no volume de dívidas em atraso renegociadas. "É uma troca de sinal, do azul para o vermelho, que indica uma mudança de tendência", diz o economista da ACSP, Emílio Alfieri. "Esse resultado sugere que a bomba do BC caiu sobre o consumidor inadimplente. Daqui para frente, ele não vai ter tanta facilidade para renegociar dívida atrasada."

Em dezembro, o BC aumentou a fatia de depósitos compulsórios que os bancos têm de fazer à autoridade monetária. A intenção foi esfriar o ritmo de crescimento do crédito, retirando dinheiro da economia e tornando o seu custo mais alto. Nesta semana, mais uma decisão nessa direção deverá ser tomada pelo BC. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que termina amanhã, deve elevar a taxa básica de juros, atualmente em 10,75% ao ano.

Em janeiro do ano passado, a inadimplência líquida atingiu 5,8%. No mesmo período de 2009, por causa da crise financeira internacional, foi para 7,7%. Para janeiro deste ano, Alfieri projeta algo entre 6,2% e 6,3%. "A inadimplência líquida deste mês deve ser mais alta que a de 2010, mas não vai chegar ao nível de janeiro de 2009", prevê. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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