Joédson Alves/EFE
Joédson Alves/EFE

Após aprovação do auxílio, hashtag #PagaLogoBolsonaro é o assunto mais comentado do Twitter

O Senado votou nesta segunda, benefício de R$ 600 que ajuda trabalhadores informais, intermitentes e MEIs; na internet, usuários cobram agilidade do governo em liberar a quantia

Idiana Tomazelli, O Estado de S.Paulo

30 de março de 2020 | 20h49

BRASÍLIA - A aprovação do auxílio emergencial de R$ 600 a trabalhadores informais hoje pelo Senado Federal jogou a pressão da execução do benefício no colo do presidente Jair Bolsonaro. Neste momento, a hashtag #PagaLogoBolsonaro é uma das mais comentadas no Twitter. Além da sanção do projeto, um decreto precisa ser editado pelo presidente para definir como o pagamento será feito.

Montar essa operação, porém, não será fácil. A Instituição Fiscal Independente (IFI) do Senado calcula que 30,5 milhões de brasileiros receberão o auxílio emergencial. Muitas são invisíveis hoje aos cadastros do governo.

Nesses casos, a proposta prevê a possibilidade de o cidadão preencher uma “autodeclaração”, cujo modelo ainda está sendo desenvolvido pelos técnicos do governo. Desde já, os técnicos querem evitar qualquer etapa presencial, num momento em que as autoridades sanitárias recomendam o isolamento como medida de combate à covid-19.

O governo conta com uma ampla base de dados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) para fazer o cruzamento. Mas ainda há muita incerteza sobre como os pagamentos serão viabilizados.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast, a capacidade do governo de operacionalizar esses repasses está sendo acompanhada de perto por órgãos de controle. O temor é que o governo não tenha a agilidade requerida num momento como este para fazer o dinheiro chegar rapidamente às famílias, que já não têm mais a renda que obtinham com bicos e trabalhos informais.

INSS, Caixa e Ministério da Cidadania já vinham conversando sobre como tirar do papel a megaoperação. No entanto, nas palavras de um técnico, “o INSS é um transatlântico”, ou seja, qualquer movimento não é trivial.

Após a aprovação do texto pelo Senado, o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (DEM-AP), correu ao Twitter para cobrar do presidente Jair Bolsonaro rapidez na sanção do projeto. O Senado inclusive antecipou o fim da votação para acelerar o trâmite de envio da mensagem de aprovação ao Palácio do Planalto, procedimento necessário à sanção.

Já o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), escreveu que a preocupação agora é com a logística. “Estaremos vigilantes para que isso (pagamento) ocorra com a brevidade necessária”, disse.

O relator do projeto no Senado, Alessandro Vieira (Cidadania-SE), disse que para os beneficiários do Bolsa Família, o valor “vai cair automaticamente”. No entanto, ele admitiu que a logística é complexa. “Eu não tenho a caneta para fazer com que o dinheiro caia na sua conta amanhã”, afirmou em transmissão nas redes sociais.

Hoje mais cedo, a Caixa informou que está se preparando para operacionalizar o benefício, mas destacou que, para evitar corrida às agências, a medida ainda não está em vigor.

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