Após atentados, Bolsa ainda espera recuperação dos EUA

Os atentados terroristas aos Estados Unidos em 11 de setembro do ano passado contribuíram para piorar o caldo negativo do mercado acionário, mas não foram determinantes. As principais questões que pressionaram - e continuam pressionando - as Bolsas mundiais são mais abrangentes, segundo analistas. O mercado ainda espera pela recuperação da economia americana e pela adoção de medidas mais sólidas de governança corporativa nas grandes companhias dos EUA. Para especialistas, é disso que depende a melhoria das Bolsas. Desde os ataques do ano passado, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) caiu 31% em dólares. Os dois principais indicadores acionários dos Estados Unidos, Dow Jones e Nasdaq, recuaram 10,5% e 22% no mesmo período, respectivamente. Para o diretor de bolsa do JP Morgan, Pedro Martins, os atentados não causaram diretamente a queda do Ibovespa, mas interromperam a retomada econômica americana. Essa parada acabou precipitando a redução dos juros por grandes economias mundiais, o que fez com que voltasse a expectativa de melhora das Bolsas. Nesse ponto, os analistas ressaltam que, apesar de ter caído na comparação entre as duas datas, o Ibovespa chegou a subir bem dentro desse período. O chefe de análise da Itaú Corretora, Reginaldo Alexandre, lembrou que o índice teve valorização de 30% em dólares até dezembro. "Naquela época, o Brasil já se descolava um pouco do risco da Argentina, via-se um prazo para o fim do racionamento de energia e esperava-se queda de juros", afirmou, lembrando fatores de pressões internos. No começo de 2002, entretanto, a instabilidade precoce em torno das eleições e a revisão de expectativas sobre a recuperação dos EUA minaram as projeções. "Os preços de ações, que embutiam essas expectativas, tiveram de se ajustar." Também contribuiu para a volta do sentimento negativo mundial a série de escândalos corporativos iniciada nos EUA. "A aversão geral ao risco se agravou, prejudicando ainda mais a Bovespa", disse a analista chefe da Fator Doria Atherino Corretora, Lika Takahashi. A queda do Ibovespa desde os ataques terroristas foi puxada principalmente por ações de companhias endividadas em dólares e de telefonia. Entre as principais desvalorizações ficaram Net (-95%), Embratel (-73,9%), Inepar (-69,3%) e Eletropaulo (52,6%). As maiores altas do período, por outro lado, ficaram com ações de empresas que, de alguma maneira, ganham com o dólar alto. Entram na lista Gerdau (122,8%), Vale do Rio Doce (55,5%) e VCP (52%).

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