José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Após atingir R$ 2,90 com fala de Levy, dólar fecha estável, a R$ 2,874

Ministro da Fazenda diz que BC 'tem procurado estabilizar a moeda' e que 'tem sido atuante para tentar diminuir a volatilidade', mas não informou se o programa de swap será estendido a partir de abril

Agência Estado

23 Fevereiro 2015 | 10h55

Atualizado às 17h30

Após operar nos terrenos de alta e baixa ao longo da sessão, o dólar à vista no balcão encerrou perto da estabilidade, cotado a R$ 2,874 (+0,07%), maior nível desde 25/10/2004 (R$ 2,883) e tendo na máxima intraday (durante as negociações) atingido a marca de R$ 2,90 (+0,97%) perto das 10 horas. 

De acordo com operadores, o comportamento do câmbio foi pautado tanto pelo movimento no exterior, onde o dólar subiu ante as demais moedas, quanto por fatores técnicos e especulações a partir de declarações do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Na mínima, o dólar no balcão chegou a R$ 2,8620 (-0,35%) pouco depois das 13 horas. 

A moeda já começou o dia em alta ante o real, ganhando força até chegar à máxima de R$ 2,90, com as crescentes especulações sobre o futuro do programa de swap cambial (operação que equivale à venda de dólares no mercado futuro) a partir da fala do ministro Levy durante palestra a empresários pela manhã. Após bater a máxima, a cotação elevada atraiu vendedores e a moeda passou a operar em baixa até o meio da tarde, quando o movimento se esgotou.


Em palestra a empresários em São Paulo, o ministro afirmou que o Banco Central "tem procurado estabilizar a moeda" e "tem sido atuante para tentar diminuir a volatilidade", do câmbio, com programa de swaps. "Os swaps não estão sendo adotados para guiar a taxa de câmbio, mas para reduzir a volatilidade", disse. Trata-se de um tema sensível ao mercado, que está ansioso para saber se o programa será prorrogado para além de março.

A pesquisa Focus, divulgada nesta segunda pelo BC, reafirmou a aposta feita há uma semana pelo mercado: o dólar deve encerrar o ano cotado em R$ 2,90, acreditam os analistas. Em 2016, ainda de acordo com o relatório, o câmbio deve atingir os R$ 3,00. 

Lá fora, o dólar subiu ante seus pares, amparado pela queda do petróleo, pela expectativa em relação à aprovação do acordo na Grécia, que inicialmente prevê extensão do programa de ajuda financeira por mais quatro meses a depender da lista de reformas a ser apresentada pelo governo grego.

Bolsa. Em um pregão de bastante volatilidade, a Bovespa garantiu uma pequena alta nos minutos finais, ajudada pelo desempenho positivo dos bancos. Vale, por outro lado, teve forte recuo e pressionou, da mesma forma que Petrobrás. A agenda forte nos próximos dias, que reserva o IPCA-15 de fevereiro e o discurso da presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, na terça-feira, deixou os investidores na defensiva. Para muitos analistas, a partir da melhora vista no mercado de trabalho norte-americano, Yellen pode mostrar um tom mais conservador do que o esperado e reforçar a percepção de que os juros poderão subir na metade do ano.  O Ibovespa terminou o dia com ligeira alta de 0,08%, aos 51.280,64 pontos.


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