FÁBIO MOTTA/ESTADÃO
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Após atritos com Maia, Bolsonaro participa de agenda positiva no Planalto

Em cerimônia de concessão de energia elétrica, o presidente  afirmou que o leilão, realizado ainda na gestão do ex-presidente Michel Temer, foi resultado direto das ações sinalizadas pelo seu governo

Julia Lindner e Anne Warth, O Estado de S.Paulo

25 de março de 2019 | 18h05

BRASÍLIA - Em busca de agenda positiva para o governo, o presidente Jair Bolsonaro participou, na tarde desta segunda-feira, 25, de cerimônia de assinatura dos contratos de concessão do leilão de transmissão de energia elétrica, no Palácio do Planalto. O evento é apenas uma formalidade, já que o leilão aconteceu no dia 20 de dezembro, antes mesmo da posse de Bolsonaro.

Na cerimônia, o presidente  afirmou que o leilão, realizado ainda na gestão do ex-presidente Michel Temer, foi resultado direto das ações sinalizadas pelo seu governo.

Na disputa realizada no ano passado, 16 lotes foram leiloados, com deságio médio de 46%. O leilão vai viabilizar R$ 13,2 bilhões e 28 mil empregos diretos, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Foram licitadas 55 linhas de transmissão, com 7.152 km de extensão e 25 subestações em 13 Estados.

"Todos os 16 lotes tiveram propostas, ao contrário do que ocorreu em leilões anteriores. O sucesso desse leilão é resultado direto das ações sinalizadas pelo nosso governo, buscando maior liberdade econômica e alcançando o capital privado para atuar no mercado de infraestrutura", disse Bolsonaro na cerimônia. A Aneel abriu audiência pública para discutir os detalhes do leilão no dia 4 de setembro. O edital foi aprovado no dia 13 de novembro.

Nesta segunda, o presidente afirmou que a sua gestão tem um viés "pró-mercado" e busca trazer iniciativas do setor privado. Em meio as divergências com o Congresso, também defendeu brevemente a reforma da Previdência como forma de "facilitar o equilíbrio das contas públicas". "É o Brasil voltando a crescer. Ainda temos muito a avançar. Vamos em frente, Brasil acima de tudo, Deus acima de todos", concluiu com o slogan da campanha.

Críticas

Bolsonaro aproveitou, em sua fala, para criticar o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, sem citá-la diretamente. Ele mencionou a redução na tarifa de energia elétrica, em 2012, que acabou acarretando perdas para o setor nos anos seguintes. Além disso, a medida, associada a uma crise hídrica, levou a um reajuste de 50% nas tarifas em 2015.

"No meu governo sempre procuramos manter viés pró-mercado e trazer investimentos do setor privado na economia", emendou Bolsonaro. No início do discurso, ele também destacou que é preciso ter "responsabilidade, progresso e confiança acima de tudo". 

Além de Bolsonaro, participaram da cerimônia no Palácio os ministros da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, de Minas e Energia, Bento Albuquerque, da Economia, Paulo Guedes, e da Secretaria de Governo, Alberto Santos Cruz.

Desde cedo, o presidente mantém agenda intensa de reuniões com ministros e autoridades com o intuito de afinar o discurso e garantir apoio para a reforma da Previdência no Congresso. Pela manhã, definiu que é preciso manter foco total na reforma e pediu que os ministros o ajudem a "pacificar" a relação com a Câmara, após desavenças com o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

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