Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Após aumento de impostos, mercado sobe previsão para inflação em 2017

Anúncio feito na semana passada motivou economistas a revisar para 3,33% a expectativa para o IPCA no fim deste ano

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

24 Julho 2017 | 10h58

Após o aumento da tributação sobre combustíveis, os economistas do mercado financeiro elevaram suas projeções para o IPCA, o índice oficial de inflação, para este ano. O Relatório de Mercado Focus, divulgado hoje pelo BC, mostra que a mediana para o IPCA em 2017 foi de 3,29% para 3,33%. Há um mês, estava em 3,48%. Já a projeção para o índice de 2018 seguiu em 4,20%, ante 4,30% de quatro semanas atrás.

Na prática, as projeções de mercado divulgadas hoje no Focus indicam que a expectativa é de que a inflação fique abaixo do centro da meta, de 4,5%, em 2017 e 2018. A margem de tolerância para estes anos é de 1,5 ponto porcentual (inflação entre 3,0% e 6,0%).

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Na última quinta-feira, 20, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o IPCA-15 - considerado uma espécie de prévia para a inflação oficial - teve deflação de 0,18% em julho. Foi a menor variação porcentual para o índice desde setembro de 1998 (-0,44%).

Por outro lado, o governo anunciou, também na quinta-feira, aumento da alíquota de PIS/Cofins sobre a gasolina, o diesel e o etanol. Apenas no caso da gasolina, a tributação poderá significar um aumento de R$ 0,41 para cada litro, o que gera impactos diretos e indiretos sobre os preços ao consumidor.

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No Focus de hoje, entre as instituições que mais se aproximam do resultado efetivo do IPCA no médio prazo, denominadas Top 5, a mediana das projeções para 2017 passou de 3,08% para 3,10%. Para 2018, a estimativa seguiu em 4,19%. Quatro semanas atrás, as expectativas eram de 4,48% e 3,98%, respectivamente.

 

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Já a inflação suavizada para os próximos 12 meses foi de 4,37% para 4,40% de uma semana para outra - há um mês, também estava em 4,37%.

Entre os índices mensais mais próximos, a estimativa para julho de 2017 foi de 0,17% para 0,15%. Um mês antes, estava em 0,18%. No caso de agosto, a previsão de inflação do Focus foi de 0,23% para 0,25%, ante o mesmo 0,25% de quatro semanas atrás.

O relatório Focus mostra ainda que as instituições financeiras seguiram projetando uma inflação de 4,25% em 2019. Este porcentual é calculado desde o início de abril deste ano, sem alterações.

Na última semana de junho, o Conselho Monetário Nacional (CMN) definiu uma meta de 4,25% para a inflação em 2019 - justamente o que está projetado no Focus. A margem de tolerância é de 1,5 ponto porcentual (inflação de 2,75% a 5,75%). 

Também a projeção de inflação de 2020 permaneceu em 4,00%. Este porcentual está em sintonia com a meta de exatos 4,00% para o ano. Na prática, o Focus indica que o mercado financeiro acredita que o BC conduzirá a inflação de 2020 para este patamar, como propôs o CMN. 

Para 2021 - horizonte mais distante contemplado pelo Focus -, os economistas projetam inflação de 4,00%. 

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