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Após balanço, Fitch retira observação de possível rebaixamento de rating da Petrobrás

Agência de classificação de risco manteve rating em BBB-, mas informou que a perspectiva para as notas de crédito é negativa

Francine De Lorenzo e Mateus Fagundes, Agência Estado

24 de abril de 2015 | 12h38

Atualizada às 13h08

SÃO PAULO - Dois dias após a divulgação do balanço da Petrobrás, a agência de classificação de risco Fitch retirou da nota de crédito da estatal a observação de possível rebaixamento e, simultaneamente, colocou o rating em perspectiva negativa.

Além disso, a Fitch manteve a nota de crédito de probabilidade de inadimplência da Petrobrás em moedas local e estrangeira em BBB- e o rating em escala nacional em AAA(bra).

A decisão de se manter inalterados os ratings da Petrobrás foi tomada depois que a companhia publicou, na noite de quarta-feira, seu balanço de 2014 auditado - o que, segundo a Fitch, evitou um processo de antecipação de pagamento de dívidas.

De acordo com a agência, a divulgação dos resultados financeiros auditados mitigou as incertezas em relação à capacidade da Petrobrás de fazer os ajustes necessários para cumprir com esse compromisso. Além disso, acrescenta a Fitch, a companhia melhorou sua liquidez ao anunciar US$ 13 bilhões em novos financiamentos.

Na avaliação da Fitch, o acesso ao crédito, a redução nos investimentos e os planos de venda de ativos minimizam as preocupações de liquidez no curto prazo.

Entretanto, a perspectiva negativa evidencia que as incertezas em relação à capacidade da empresa de desalavancar seu balanço de pagamentos no médio prazo permanecem. Os escândalos de corrupção, de acordo com a Fitch, podem resultar em atrasos nos negócios. A agência ressalta que continuará monitorando a estratégia da Petrobrás para fortalecer sua estrutura de capital.


Coerência. A Fitch afirmou no comunicado que espera que a companhia apresente um programa de desalavancagem coerente em sua revisão de planos de negócios para os próximos cinco anos. Diante dessa possibilidade, a Fitch espera que o acesso ao mercado de dívidas pela estatal melhore nos próximos 12 a 24 meses.

Para a agência, a nota da Petrobrás continua a refletir sua estreita ligação com o rating do Brasil, devido ao controle governamental da companhia e sua importância estratégica no quase monopólio do mercado de combustíveis líquidos domésticos.

"A ligação é evidenciada pelos recentes empréstimos oferecidos pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal, bem como a decisão de manter os preços da gasolina e do diesel nas bombas acima dos níveis internacionais, a fim de reforçar a geração de caixa da Petrobrás", diz o comunicado, que acrescenta que a posição de caixa da companhia é suficiente para atender necessidades de financiamento no curto prazo.

Além disso, a Fitch avalia que a produção da petroleira continuará a crescer no médio prazo e que os preços domésticos devem convergir com os preços internacionais no médio/longo prazo.

Revisões. A Fitch ainda alerta que uma eventual ação de rating negativa para a Petrobrás pode ocorrer caso a companhia não reduza a sua relação dívida/Ebitda a menos de 5 vezes no médio prazo e se houver uma diminuição na percepção do apoio do governo.

A agência avalia ainda que uma ação de rating positiva para a estatal é improvável no curto e médio prazo. No entanto, pondera o relatório, o apoio explícito direto do governo poderia ajudar a estabilizar as notas da companhia.

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