Após bancos, Europa promete ajudar indústrias

Líderes da UE aprovaram pacote de ajuda aos bancos anunciado no domingo.

Marcia Bizzotto, BBC

16 Outubro 2008 | 13h42

Os 27 países da União Européia (UE) aprovaram nesta quinta-feira o plano de ajuda financeira aos bancos da região, anunciado no domingo, e afirmaram estar "determinados" a tomar agora medidas para ajudar a indústria e frear a desaceleração econômica.Na declaração final da cúpula de dois dias realizada em Bruxelas, os governantes do bloco manifestam sua "determinação em tomar as medidas necessárias para reagir à desaceleração da demanda e do investimento e, em particular, para apoiar a indústria européia".A Comissão Européia, órgão executivo do bloco, foi encarregada de apresentar antes do final deste ano uma proposta com possíveis medidas para alcançar esse objetivo juntamente com um estudo sobre a situação da indústria européia.O caminho a ser seguido, de acordo com o documento, deve passar pela "continuação das reformas estruturais como forma de contribuir para a retomada do crescimento e para a melhoria da situação do emprego na Europa".ReformasEm entrevista coletiva ao final da reunião, o atual presidente da UE, o francês Nicolas Sarkozy, insistiu na necessidade de reformar o sistema financeiro mundial, uma proposta apresentada na quarta-feira pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que obteve apoio unânime dos 27.O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, defendeu a participação dos países emergentes nesse processo e afirmou que um estudo apresentado aos líderes europeus pelo presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, "mostra que esses países já estão sendo afetados pela crise".Para a UE, a reforma mundial deve ser apoiada na aplicação de princípios de transparência e na supervisão internacional e incluir uma revisão profunda do papel do Fundo Monetário Internacional (FMI).O bloco também pede uma revisão dos princípios de remuneração dos executivos financeiros para evitar que recebam indenizações milionárias mesmo quando deixam uma instituição à beira da falência.Imigração e climaAlém dos problemas financeiros, os líderes europeus também ratificaram o chamado Pacto para a Imigração, um acordo político no qual os 27 se comprometem a seguir determinados princípios comuns na elaboração de suas leis para essa área.Segundo o documento de conclusão da cúpula, as iniciativas incluídas no pacto deverão ser colocadas em prática imediatamente. Entre elas está o compromisso de todos os países de não realizar regularizações massivas de imigrantes ilegais e criar mecanismos de incentivo ao retorno voluntário.A UE também conseguiu unanimidade para confirmar seu pacote climático, que determina reduzir em 20% as emissões de gases associados ao efeito estufa até 2020 em relação a 1990 e a aumentar a participação de fontes renováveis em 20% no total da energia consumida no bloco.Para isso, a presidência e a Comissão européias prometeram buscar "soluções apropriadas para as preocupações específicas" de cada país, disse Sarkozy.Pelo menos dez países membros, entre eles Itália e Polônia, disseram estar preocupados com a consequência que a adaptação às metas climáticas européias teriam sobre suas indústrias em meio à atual crise.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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