Clayton de Souza/ AE
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Mercado ganha fôlego com trégua comercial

Governo Trump adia medidas de retaliação contra chineses e medida faz Bolsas se valorizarem pelo mundo, apesar de Hong Kong e Argentina

Gabriel Bueno da Costa, Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2019 | 11h09
Atualizado 13 de agosto de 2019 | 21h30

Uma trégua na guerra comercial entre Estados Unidos e China ofuscou em parte as tensões políticas em Hong Kong, Argentina e Itália e abriu espaço para recuperação dos mercados, após perdas pesadas na segunda-feira. Ontem, o governo de Donald Trump anunciou a retirada de certos produtos chineses da lista de itens que serão taxados em 10% e adiou para 15 de dezembro a imposição de tarifas sobre celulares e laptops.

A medida deu ânimo ao mercado. Em Nova York, o índice Dow Jones fechou em alta de 1,44%, enquanto o S&P 500 subiu 1,48% e o Nasdaq, 1,95%.

Embalados pelos ventos externos, os ativos domésticos conseguiram se recuperar de parte do tombo da segunda-feira. O Ibovespa (principal índice de ações da B3) marcou 103,3 mil pontos, em alta de 1,36%. No dia anterior, havia recuado 2% principalmente devido ao estresse na Argentina, após vitória do kirchnerismo nas eleições primárias reavivar temores de uma política intervencionista no país. Ainda por aqui, o dólar caiu 0,39% e fechou a R$ 3,96 – após bater R$ 4,01.

Na Argentina, houve uma recuperação parcial do mercado acionário. Depois de derreter 37,9% na segunda-feira, o índice Merval, o mais importante da Bolsa de Buenos Aires, subiu 10,2% ontem. O alívio veio após Alberto Fernández, candidato a presidência na chapa em que Cristina Kirchner concorre a vice, afirmar, na noite se segunda-feira, que honrará o pagamento da dívida. “Óbvio que vou pagar. Não quero cair em ‘default’ de nenhuma maneira”, disse em um programa de TV. 

Apesar de ter segurado a Bolsa, a mensagem não foi suficiente para o mercado de câmbio. O dólar continuou avançando no país e fechou em 55,80 pesos, alta de 7%.

Após a derrota sofrida no domingo – quando conseguiu apenas 32% dos votos nas primárias, enquanto o oposicionista Alberto Fernández alcançou 47% –, o presidente argentino, Mauricio Macri, começou a preparar um pacote econômico para tentar atrair eleitores nas eleições em outubro. A ideia, segundo a imprensa argentina, é aliviar a situação financeira da classe média, que tem sofrido com a inflação de 55,8% dos últimos 12 meses. Entre as medidas estudadas estão uma linha de financiamento especial para pequenas e médias empresas, um aumento no salário mínimo e isenção de imposto de renda para um maior número de trabalhadores.

 

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