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Após BC estender prazo para cumprir meta, projeção para inflação em 2016 dispara

Mercado acredita que o IPCA chegará a 6,22% no ano que vem, enquanto a elite dos economistas aponta para 7,30%; estimativa do PIB subiu para uma queda de 3,02% em 2015 e de 1,43% em 2016

Célia Froufe, O Estado de S. Paulo

26 de outubro de 2015 | 09h37

BRASÍLIA - Depois que o Banco Central jogou a toalha em relação ao cumprimento da meta de 4,5% também em 2016, as previsões para a inflação no Relatório de Mercado Focus dispararam em alguns casos e, no índice que mede o comportamento dos preços no atacado chegou a superar a marca dos 10%. Segundo o documento, a mediana para o IPCA do ano que vem subiu de 6,12% para 6,22%. Esta é a 12ª semana consecutiva de elevação. 

No caso da elite dos economistas que mais acertam as previsões para a inflação no médio prazo, denominada Top 5, a mudança foi ainda mais gritante. Há 15 dias, esse grupo passou a prever que o BC não entregará a inflação na meta (4,5%) também no ano que vem. Pela mediana das estimativas do boletim Focus, o IPCA do ano que vem terminará em 7,30%, e não mais em 6,72% como revelava a previsão anterior. Quatro edições atrás estava em 6,46%. A meta de 2016 é de 4,5% com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima, o que abrigaria uma taxa de até 6,50%. 

Já as projeções para a inflação deste ano subiram de 9,75% para 9,85% na pesquisa geral. Há quatro semanas, estavam em 9,46%.No caso do Top 5 de 2015, a mediana das previsões desse mesmo grupo saltou de 9,81% para 9,95% - também bem acima do teto da meta deste ano, que tem os mesmos parâmetros da de 2016. 

As projeções para os preços administrados voltaram subir tanto para 2015 como para 2016. A mediana das previsões para esse conjunto de itens no ano que vem passou de 6,35% para 6,60%. Para 2015, as estimativas do mercado financeiro para os preços administrados saiu de 16,00% para 16,11% de uma semana para outra.

Para a inflação de curto prazo, a estimativa para outubro disparou de 0,73% para 0,81%. Já a de novembro, passou de 0,61% para 0,63% de uma semana para outra. 

PIB. O Relatório de Mercado Focus trouxe mais revisões para o Produto Interno Bruto (PIB) deste e, principalmente, do próximo ano. A perspectiva de retração da economia este ano passou de 3,00% para 3,02%. Para 2016, a mediana das previsões saiu de -1,22% para -1,43%. 

Segundo o IBGE, o PIB brasileiro caiu 2,6% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro e 1,9% ante o mesmo período de 2014. No Relatório Trimestral de Inflação de setembro, o BC revisou de -1,1% para -2,7% a estimativa para a retração econômica deste ano.

Juro. Com o foco do Banco Central deslocado agora para 2017, mas com a promessa de que seguirá "vigilante", o mercado financeiro revisou para cima suas expectativas para o comportamento da Selic no ano que vem. A mediana passou de 12,75% ao ano para 13,00% aa.

Para este ano, os analistas deixaram suas projeções para a Selic inalteradas. A mediana permaneceu em 14,25% ao ano pela 13ª semana seguida. Na quinta-feira, o BC divulgará a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), que decidiu manter a taxa básica de juros em 14,25% ao ano, mas que mudou seu comunicado, explicando que não vê mais chance de levar a inflação para a meta no fim de 2016, mas, sim, o horizonte relevante, que é um prazo de 24 meses. 

Dólar. O Relatório de Mercado Focus revelou a percepção de que o dólar ficará ainda mais caro no encerramento do ano que vem. De acordo com o boletim, para o encerramento de 2016, a mediana das estimativas para o dólar subiu de R$ 4,13 para R$ 4,20. Com alta superior a 46% apenas neste ano, as projeções para o dólar no fim deste ano seguiram em R$ 4,00, como visto na semana passada. 

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