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Após boom, Sorocaba vê shoppings às moscas

Centros comerciais inaugurados há três anos têm a maior parte das lojas fechada

JOSÉ MARIA TOMAZELA, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2015 | 02h04

SOROCABA - Nos últimos três anos, a cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, ganhou cinco novos shopping centers com 1.120 lojas para atender os 630 mil moradores locais e outros 1,5 milhão do entorno. A cidade, que até 2012 tinha apenas três shopping centers, passou a ser terceira no Estado em número de empreendimentos. Com a crise econômica, pelo menos três centros estão vazios. Uma reportagem do americano 'The Wall Street Journal' referiu-se a Sorocaba como "a cidade dos shoppings fantasmas".

No Shopping Plaza Itavuvu, inaugurado em junho de 2012, a maioria das 120 lojas fechou. Com os corredores vazios, o shopping já não abre nos fins de semana e reduziu em duas horas o horário de funcionamento. Na praça de alimentação, resta apenas a loja do Burger King.

O gerente comercial, Ricardo Bueno, disse que mantém 69% de ocupação da Área Bruta Locável (ABL) graças a um hipermercado e a prestadoras de serviços médicos. "Estamos mudando nosso perfil, saindo do varejo para o setor de serviços", afirmou.

Ele atribuiu o fechamento de lojas à chegada de vários centros de compra ao mesmo tempo e à concorrência, agravada pela crise econômica. O Villágio Shopping, inaugurado em dezembro de 2012, tem apenas 10% das 98 lojas abertas.

A lojista Renata Couto, de uma franquia de moda, disse que a loja funcionará ali por apenas mais três meses, quando termina o contrato. "Não houve interesse do shopping em renovar, por isso vamos para outro local da cidade." Segundo ela, a informação é de que o shopping mudará o foco para serviços em medicina. Procurada, a administração do centro não se manifestou.

O Shopping Panorâmico, um dos pioneiros na cidade, inaugurado em 1989, tem pelo menos 80 lojas fechadas -70% do total. De acordo com o proprietário Elias Antonio José, o número de visitantes diários caiu de 10 mil nos primeiros anos de operação para 2 mil atualmente.

Para reduzir a ociosidade, o shopping agregou serviços de hotelaria, lavanderia, salão de beleza e tosa de cães. Maiores e mais recentes, o Iguatemi Esplanada, inaugurado em novembro de 2013 com 400 lojas, e o Pátio Cianê, aberto em outubro do mesmo ano com 226 unidades, também perderam marcas importantes. O Cidade, com 300 lojas, tem pontos vagos.

Fundo do poço. Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Sorocaba, Fernando Soranz, a crise econômica atingiu os empreendimentos antes que se consolidassem. "Não houve excesso de confiança do empreendedor. Na verdade, ninguém imaginava que nossa economia fosse chegar tão rápido ao fundo do poço."

Segundo ele, o comércio de rua da cidade também foi afetado. "Temos pontos para alugar em área comercial nobre sem luva e por valor menor, mesmo assim não aparecem interessados. É uma situação que não ocorria há 20 anos."

A crise levou a incorporadora do Shopping Tangará, que tinha inauguração prevista para este ano, em Sorocaba, a remarcar a abertura para 2017. O centro de compras abrirá mais 200 lojas próximo da área central.

Setor. Segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), os empreendedores de shopping centers planejam inaugurar 26 estabelecimentos este ano, mas mais da metade desse total foi herdada de 2014.

No início de 2014, o setor esperava abrir 43 shoppings, mas fechou o ano com 25 inaugurações. Além de adiar 14 shoppings para este ano, os empreendedores postergaram a abertura de quatro para 2016. Entre expansões e construção de novos shoppings, R$ 16,3 bilhões serão aplicados no setor neste ano.

Os 520 shoppings brasileiros faturaram R$ 142,3 bilhões em 2014, com crescimento nominal de 10,1%. Para este ano, a expectativa é ampliar as vendas em 8,5%.

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