Após Brasil, Argentina investe em petróleo em águas profundas

Governo argentino se entusiasma com descobertas no Brasil e abre licitações para exploração

Marina Guimarães, da Agência Estado,

16 de abril de 2008 | 11h06

Entusiasmado com as descobertas de novas reservas de petróleo feitas pela Petrobras, que colocam o Brasil em uma situação energética privilegiada, o governo da Argentina abriu novas licitações para a exploração em áreas off shore (em águas profundas) no país. O Ministério do Planejamento lançou um programa de licitações para a exploração de hidrocarbonetos nessas áreas. O plano será desenvolvido com um esquema de associação do setor público, através da estatal Enarsa, com as petrolíferas privadas. Segundo o ministro de Planejamento, Julio De Vido, serão realizadas duas "rodadas de licitações por ano até 2010". A Enarsa já participa da exploração de seis blocos no mar argentino em sociedade com as petrolíferas Repsol YPF, Petrobras e Sipetrol. A primeira rodada, como explicou o ministro, já foi anunciada na última segunda-feira, e envolverá a licitação de nove blocos, um da Bacia do Colorado, outra na Bacia do Salado e sete outros localizados no norte da província de Santa Cruz, no sul de Chubut e no Golfo de San Jorge. A superfície dos nove blocos está calculada em 113.200 quilômetros quadrados. A área já passou pelo estudo sísmico realizado pela Repsol YPF e os dados, segundo o presidente da Enarsa, Exequiel Espinosa, estão à disposição das empresas que se apresentarem à licitação. O sistema de licitação implementado quando a Enarsa foi criada, em 2004, pelo ex-presidente Néstor Kirchner, estabeleceu que a Enarsa concede a área para a exploração, mas não a cede legalmente. A estatal argentina possui uma participação mínima de 51% na sociedade com as empresas, podendo ser incrementada em até 60% em caso de descobrimento de hidrocarbonetos em volumes apropriados para a sua comercialização. O período de exploração será por cinco anos, com uma única prorrogação de um ano. No caso de descobrimento de reservas comprovadas, o período de exploração será de 25 anos.

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