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Após cair 3,13% em 5 dias, dólar sobe 0,94% no balcão

Moeda norte-americana fechou em R$ 1,7170 influenciado pelo movimento externo de proteção do dólar

Silvana Rocha, da Agência Estado,

10 de novembro de 2009 | 17h46

Após o dólar testar na segunda-feira, 9, o suporte psicológico de R$ 1,70, os investidores no mercado local assumiram posições defensivas nesta terça-feira, 10, e ampararam a subida da moeda depois de uma queda de 3,13% ante o real nas cinco sessões anteriores. A realização de lucros nesta terça-feira foi induzida, segundo o operador José Carlos Amado, da Renascença Corretora, pelo movimento externo de busca de proteção em dólar e em títulos norte-americanos e pelas declarações nesta terça do ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que a moeda brasileira está sobrevalorizada. Segundo a fonte, a fala de Mantega embute a preocupação do governo com a apreciação cambial e eleva a expectativa de que alguma medida poderá ser tomada no curto prazo, a fim de tentar estancar a subida contínua do real. "O mercado está sensível à alta das cotações", avaliou.

 

"O dólar a R$ 1,70 arrepia o mercado", disse o economista José Francisco de Lima Gonçalves, do Banco Fator. Por isso, afirmou, o pouco movimento que se tem hoje nos mercados à vista e futuro é na ponta compradora, uma vez que, há três semanas, quando a moeda estava perto desse patamar, o governo adotou o IOF para o capital estrangeiro. Em 19 de outubro, quando o governo anunciou à noite a cobrança do IOF de 2% para o capital estrangeiro a partir de 20/10, o dólar no balcão ajustou-se a essa expectativa na sessão e fechou a R$ 1,7110, mas bateu mínima intraday nesse dia de R$ 1,7050. "A expectativa agora é a de que o governo deve tapar brechas já identificadas e outras que vão aparecendo. Se o governo selecionar alguns fluxos para tributar, outros ficarão de fora", comentou.

 

No fechamento, o dólar à vista subiu 0,94%, a R$ 1,7170 no balcão; e avançou 0,93%, a R$ 1,7160 na BM&F. O giro financeiro em D+2 movimentado até 17h08 somava cerca de US$ 2 bilhões (cerca de 11% superior ao volume em D+2 da véspera), de acordo com a Renascença Corretora.

 

No mercado futuro, o dólar com vencimento em 1º de dezembro apontava valorização de 0,73%, a R$ 1,7180 às 17h10, com um volume negociado de US$ 12,605 bilhões, de um total registrado com quatro vencimentos, todos em alta, de US$ 12,899 bilhões.

 

No leilão vespertino, o Banco Central comprou dólar com taxa de corte de R$ 1,7119.

 

Para Lima Gonçalves, a sustentação do dólar acima de R$ 1,70 reflete uma combinação de incertezas local e no exterior. "Aqui, o governo convenceu o mercado de que está disposto a fazer alguma coisa para conter a apreciação do real. Se não tivesse feito isso, o dólar já estaria no patamar de R$ 1,65", previu. Na segunda-feira, 9, a moeda no balcão bateu mínima intraday de R$ 1,6990. "Agora, o momento é de esperar", afirmou. A expectativa é sobre o que o governo vai fazer para fechar as portas à possibilidade de especulação. "O governo poderia criar exigências adicionais nas operações com derivativos de câmbio e de renda fixa", afirmou.

 

Do lado externo, segundo o economista, há dúvidas sobre a consistência da recuperação da economia mundial e, principalmente, o momento em que os bancos centrais de países desenvolvidos vão começar a elevar os juros. "O G-20 também mostrou preocupação com a depreciação do dólar no mundo e isso sugere que estão discutindo o problema. A capacidade de atuação do G-20 é bastante razoável", afirmou.

 

Outra fonte consultada disse que, na medida em que o juro é alto no País, as operações compromissadas feitas pelo Banco Central são foco de atração de capital estrangeiro por causa da rentabilidade atraente em relação aos níveis de juros no exterior. No entanto, a mesma fonte acrescentou que "o BC realiza as operações compromissadas em nome do Tesouro para fazer política monetária. Assim, para o BC aceitar uma mexida nesse item, precisaria concordar que precisa alterar a política de câmbio flutuante. E não há esse consenso entre BC e Fazenda".

 

No mercado internacional, os investidores fizeram uma pausa em um dia de agenda vazia de indicadores nos EUA, no aguardo de uma série de dados sobre a economia chinesa, a serem divulgados na quarta-feira, 11. A realização parcial de ganhos nas bolsas foi estimulada após o Índice Dow Jones subir 5,3% do início do mês até segunda. Os destinos de boa parte dos recursos desses players foram os mercados de câmbio e de Treasuries.

 

ÀS 17h05, o juro do T-Note de dois anos despencava 2,80%, a 0,8354%, com simultânea alta dos preços dos papéis; e a taxa do T-Note 10 anos cedia 0,34%, a 3,48135%.

 

No segmento de moedas às 17h06, o euro perdia 0,06%, a US$ 1,4972, e a libra esterlina recuava 0,13%, a US$ 1,6732. Ante a moeda japonesa, o dólar caía 0,21%, a 89,79 ienes.

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