Após calote, bancos limitam crédito para comprar automóvel

Com melhora na renda e mais exigências dos bancos, dependência do financiamento na compra de veículos ficou menor

O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2013 | 18h39

Os brasileiros reduziram a dependência do financiamento na aquisição de carros, especialmente novos, depois da farra do crédito nos anos de 2008, 2009 e 2010, que resultou no calote recorde de 7,2% dos contratos verificado há um ano.

Com a melhora na renda familiar e mais exigências dos bancos, os consumidores conseguem dar uma parcela maior como entrada e o valor que sobra para financiar diminui. O carro usado, agora trocado em menor intervalo de tempo por um mais novo, também ajuda a reduzir o valor a ser pago na renovação.

De janeiro e maio deste ano, os bancos e financeiras emprestaram R$ 45,3 bilhões para compra de veículos novos e usados, uma queda de 4% em relação ao mesmo período de 2012, quando foram liberados R$ 47,2 bilhões.

Em igual intervalo, as vendas de automóveis e comerciais leves novos cresceram 8,9%, atingindo volume recorde de 1,4 milhão de unidades. Os negócios com usados aumentaram 3,6%, para 3,67 milhões de unidades, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

O prazo dos financiamentos baixou de 43 para 42 meses, em média. Ofertas de crediário em 70 ou 80 prestações desapareceram da praça. O máximo oferecido hoje são 60 meses, ainda assim em casos promocionais.

O presidente da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), Décio Carbonari de Almeida, explica que os bancos, especialmente aqueles ligados às montadoras, têm atraído clientela com oferta de juro zero no financiamento. Em contrapartida, o valor da entrada é elevado, de cerca de 50% a 60% do preço do automóvel.

"A entrada maior faz com que o valor financiado caia, por isso o total dos empréstimos é menor", explica Almeida. Segundo a Anef, 54% das vendas de veículos são financiadas (53% via CDC e 1% via leasing), enquanto 38% são à vista, porcentuais similares aos de um ano atrás.

O consórcio representa 8% da carteira e vem ganhando fôlego desde 2008, quando participava com 4%. Naquele ano, 60% dos carros eram financiados e 36% eram pagos à vista.

Fábio Silveira, sócio-diretor da GO Associados, ressalta que o mercado de veículos continua dependendo fortemente do crédito, embora essa modalidade tenha perdido importância relativa. "O financiamento ainda é majoritário na compra."

Para Silveira, depender menos do banco reduz a exposição do consumidor ao risco de crédito, caso ocorra no futuro uma piora das condições do mercado, como por exemplo no nível de emprego.

Inadimplência. De 2008 a 2010, os bancos facilitavam o financiamento, com ofertas de juro zero, longos prazos para pagamento e facilidade na aprovação do cadastro. O resultado do crédito fácil começou a aparecer no ano passado, quando o fôlego do consumidor diminuiu e a inadimplência (atrasos acima de 90 dias) bateu em 7,2% da carteira total em maio, junho e julho. Desde então, vem caindo e está em 6,3% desde março, segundo o Banco Central.

Os juros anuais também diminuíram, saindo de 22,6% em maio de 2012 para pessoas físicas para 19,7% em igual mês deste ano. Na opinião do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, as recentes altas na taxa Selic, que está em 8,5% ao ano, "por enquanto não devem ter grande impacto nas prestações dos automóveis, que são diluídas na conta mensal".

A Anfavea projeta para o ano venda recorde de mais de 3,9 milhões de veículos, uma alta de 3,5% a 4,5% em relação a 2012. Desse total, cerca de 95% devem ser automóveis e comerciais leves. Caminhões e ônibus normalmente são financiados pelo Finame, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). / C.S.

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