Após chegar a R$ 2,40, dólar fecha em alta de 3,80%

Ações do BC no mercado não são suficientes para conter efeito das incertezas sobre a economia global

Fabio Gehrke, da Reuters,

13 de novembro de 2008 | 17h11

O dólar fechou em alta pela quarta vez consecutiva nesta quinta-feira, após forte disparada no fim do pregão em meio às incertezas sobre a saúde econômica global, apesar das diversas operações do Banco Central no mercado doméstico. A moeda norte-americana subiu 3,79%, a R$ 2,38. Nesta semana, o dólar acumula alta de quase 10%. Nos últimos minutos antes do fechamento, a divisa disparou, chegando a atingir a máxima a R$ 2,400.   Veja também: De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos   Segundo Mario Battistel, gerente da Fair Corretora, o salto da moeda norte-americana foi mais um movimento "especulativo", ressaltando que os investidores estrangeiros possuem fortes posições compradas - que funcionam como uma aposta contra o real.   De acordo com o últimos dados atualizados pela Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), os estrangeiros possuíam mais US$ 13 bilhões em posições compradas.   Battistel ponderou que a valorização do dólar nesta sessão se deve a outros fatores, como os comentários do secretário do Tesouro norte-americano, Henry Paulson, na véspera e as notícias de que Alemanha entrou em recessão econômica.   "Hoje tem uma pressão de saída, temos uma demanda mais forte", afirmou Luis Piason, gerente de operações de câmbio, lembrando que o volume de negócios desta sessão está acima da média dos últimos dias.   Nos mercados acionários a volatilidade dava o tom do dia. Durante o fechamento do mercado cambial, as bolsas de valores em Nova York perdiam mais de 2%, enquanto que a Bovespa caía cerca de 1%.   Piason reforçou ainda que o Banco Central precisa usar "todo o seu arsenal" para conter o valorização da moeda norte-americana.   Nesta quinta-feira, o BC realizou três operações distintas no mercado cambial. A autoridade vendeu US$ 1,302 bilhão em leilão voltado especificamente para incentivar o financiamento às exportações, colocou no mercado 10 mil contratos swaps cambiais e ainda realizou dois leilões de dólar no mercado à vista.   "O Banco Central está tentando fazer com que a liquidez chegue nas empresas, mas a gente não tem visto isso", afirmou Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.   Segundo Galhardo, a autoridade teria que entrar com um maior volume financeiro no mercado, utilizando as grandes quantias disponibilizadas pelas reservas internacionais. De acordo com o últimos dados atualizados pelo BC, tais reservas ultrapassam os US$ 204 bilhões.

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