Após China e Copom, commodities e bancos puxam queda da Bovespa

O principal índice das ações brasileiras fechou em baixa nesta quinta-feira, recuando abaixo de 70 mil pontos em meio à preocupação com a possibilidade de um aperto monetário mais intenso na China e de uma restrição maior ao crédito no Brasil.

SILVIO CASCIONE, REUTERS

20 de janeiro de 2011 | 18h50

O Ibovespa recuou 0,71 por cento, para 69.561 pontos. O giro do pregão foi de 7,4 bilhões de reais.

As ações ligadas a commodities sofreram com os indicadores divulgados na China. O maior volume da bolsa ficou com a mineradora Vale, em baixa de 1,06 por cento nas ações preferenciais, para 52,12 reais.

Na madrugada, a China divulgou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acelerou para 9,8 por cento no quarto trimestre de 2010. Os números podem dar confiança às autoridades para adotar mais medidas restritivas, como restrições ao crédito e elevações de juros, com o objetivo de combater as pressões inflacionárias.

"Isso acaba impactando a demanda por commodities", disse Leonardo Bardese, operador da corretora BGC Liquidez.

Já o setor financeiro caiu em bloco, atento à menção do Banco Central para a importância das medidas "macroprudenciais" no combate à inflação. O índice IFNC, que reúne as principais empresas do setor, perdeu 1,45 por cento. A unit do Santander Brasil caiu 3 por cento, a 20,67 reais, e Itaú Unibanco cedeu 2,44 por cento, a 37,20 reais.

"As medidas macroprudenciais foram uma das explicações para a redução de estimativa de alguns bancos para a expansão do crédito", disse Osmar Camilo, analista da corretora Socopa, em referência ao aumento do depósito compulsório em dezembro.

Ele comentou, por exemplo, as declarações do presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine, de que a expansão do crédito ao consumidor deve crescer 22 por cento em 2011, e não mais 25 por cento como estimado antes.

As ações da estatal caíram 0,68 por cento, a 30,89 reais.

Entre as empresas que se destacaram no lado positivo, a maior alta coube à TIM Participações PN, com variação de 3,7 por cento, a 6,16 reais. O mercado recebeu bem o resultado de adições líquidas de clientes pela empresa em dezembro, o maior do setor.

"A estratégia comercial mais agressiva da TIM vem atraindo novos clientes para a base da empresa", escreveu Luciana Leocádio, analista da corretora Ativa.

Na sexta-feira, com a agenda esvaziada nos Estados Unidos e no Brasil, o mercado monitora o comportamento das bolsas em Nova York. O índice Standard & Poor's 500, após subir consistentemente desde setembro, ensaia o início de uma realização de lucros mais duradoura, afirmam alguns analistas.

(Reportagem de Silvio Cascione; Edição de Aluísio Alves)

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