Roosevelt Cassio / Reuters
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Trabalhadores da Embraer entram em greve pela primeira vez em cinco anos por questão salarial

Funcionários reivindicam reajuste de 6,37%, que corresponde à inflação do período mais 3% de aumento real; a empresa afirma que cerca de 80% de suas equipes estão trabalhando

Ana Luiza de Carvalho e Letícia Fucuchima, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2019 | 11h05

Os trabalhadores da Embraer entraram em greve nesta terça-feira, 24, segundo o Sindicato dos Metalúrgico de São José dos Campos (SindMetal). De acordo com o sindicato, é a primeira paralisação na fábrica em cinco anos e todos os 10 mil trabalhadores estão de braços cruzados.

Em nota à imprensa, a Embraer  afirmou que a maior parte de seus funcionários da unidade Faria Lima, em São José dos Campos, não aderiu à paralisação. Segundo a empresa, todas as áreas produtivas e administrativas da planta operam com cerca de 80% de suas equipes.

A greve é por tempo indeterminado e foi aprovada em assembleias convocadas pelo sindicato, no primeiro turno da produção e no turno administrativo, na matriz da empresa. Os trabalhadores, conforme o sindicato, reivindicam reajuste de 6,37%, que corresponde à inflação do período mais 3% de aumento real, além da renovação da convenção coletiva na íntegra. A entidade afirma que a Embraer não aplica aumento real de salários há quatro anos.

De acordo com a Embraer, representantes do sindicato bloquearam na manhã desta terça os principais acessos dos funcionários à fábrica. A situação só foi normalizada após a chegada da Polícia Militar, relata a companhia. "A Embraer respeita o direito à livre associação e manifestação por parte de seus colaboradores. Contudo, a empresa reprova veementemente e lamenta os fatos como o de hoje que visam cercear o direito constitucional de ir e vir dos empregados ao criar obstáculos para acesso ao local de trabalho", diz a nota divulgada.

Ainda segundo a fabricante de aeronaves, funcionam normalmente as unidades de Eugênio de Melo e EDE, ambas em São José dos Campos, além das plantas de Botucatu, Campinas, Gavião Peixoto, Sorocaba e Taubaté.

Proposta rejeitada

Os trabalhadores rejeitaram a proposta da empresa de reajuste salarial de 3,28%, referente à inflação do período. O reajuste foi proposto pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo Fiesp (Fiesp), que representa o setor aeronáutico nas negociações da campanha salarial, em reunião realizada no dia 17 de setembro. O aviso de greve já havia sido protocolado na federação na sexta-feira, 20. 

De acordo com Weller Gonçalves, presidente do SindMetal, os funcionários também se queixam de uma alteração na convenção coletiva que pode acabar com a estabilidade após acidentes de trabalho. De acordo com o texto atual, o funcionário lesionado tem o emprego garantido até a data da aposentadoria. 

A categoria afirma que a empresa apresenta uma proposta da estabilidade ser reduzida a dois anos após o acidente. “Não podemos aceitar a proposta, temos cerca de mil trabalhadores lesionados. O que a empresa tem que fazer é uma política séria de segurança do trabalho”, afirma Weller Gonçalves.

Outro receio dos trabalhadores é quanto a uma possível terceirização irrestrita da produção de aeronaves. Para o presidente do sindicato, retirar das empresas a prerrogativa de produzir as peças pode representar risco aos passageiros e à tripulação e ocasionar novos acidentes como os ocorridos com o Boeing 737 MAX, que teve a produção suspensa após acidentes ocasionados por falhas mecânicas.

“A Boeing tem produção terceirizada. Se a peça é fabricada diretamente pela Embraer ou pela Boeing, tem um sistema rígido de qualidade. Com a terceirização, que garantia você tem?”, critica. "A terceirização já é uma prática adotada pela Boeing em suas plantas, mas não permitiremos que seja aplicada nas metalúrgicas da nossa região", disse na ocasião, em nota, o diretor do sindicato André Luiz Gonçalves. 

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