Após cinco quedas, Bovespa tem maior alta em julho

Forte alta em Wall Street, queda dopetróleo e recuperação das ações de empresas domésticas demetais. A combinação desses fatores fez a Bolsa de Valores deSão Paulo fechar o pregão no azul, após cinco sessõesconsecutivas de perdas. O Ibovespa assinalou ganho de 2,06 por cento, para 58.042pontos, a maior alta em um mês. O volume financeiro de negóciostotalizou 4,68 bilhões de reais. Mais uma vez o noticiário internacional deu o tom dastransações. E, mesmo com a divulgação de mais uma gigantescabaixa contábil de 5,7 bilhões de dólares relacionada à crise decrédito nos Estados Unidos, o saldo do dia foi positivo. De um lado, o petróleo caiu para a faixa de 122 dólares obarril no fechamento, alimentando esperanças de que acontinuidade de queda da commodity alivie pressõesinflacionárias. Na Bovespa, a expectativa de custos menos salgados doscombustíveis impulsionou o setor aéreo. As ações preferenciaisda Gol subiram 4,66 por cento, a 16,85 reais. De outro lado, o índice de confiança do consumidornorte-americano subiu em julho pela primeira vez em seis meses,contrariando expectativas mais negativas de analistas. "Isso tudo freou um pouco o fluxo de ordens de venda,especialmente sobre ações ligadas a commodities", disse AndréQuerne, sócio da Rio Gestão de Recursos. Foi o que permitiu um respiro dos papéis de siderúrgicas,como as preferenciais da Gerdau Metalúrgica, que subiram 4,85por cento, a 43,90 reais. O mesmo raciocínio guiou as ações preferenciais da Vale auma valorização de 2,23 por cento, cotadas a 39,00 reais. O setor bancário reforçou a tendência positiva, no dia emque o Banco Central divulgou que o volume de crédito concedidopelas instituições financeiras no país cresceu 33,4 por centono período de doze meses encerrado em junho, em um quadro deestabilidade da inadimplência. Em destaque, as ações ordinárias do Banco do Brasildispararam 5,8 por cento, para 24,40 reais. Na coluna negativa ficou o carro-chefe da bolsa paulista,as ações preferenciais da Petrobras, que caíram 0,14 por cento,a 34,80 reais, seguindo de longe a queda do preço do petróleo. A Perdigão viu suas ações ordinárias caírem 0,6 por cento,para 41,35 reais, depois de a companhia reportar, na véspera,prejuízo de 881,8 milhões de reais no segundo trimestre.Analistas mostraram-se preocupados com a possibilidade de aempresa não conseguir repassar os aumentos de custos commatérias-primas aos consumidores. (Edição de Vanessa Stelzer)

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

29 de julho de 2008 | 17h52

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