Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Após compra pelo Itaú, foco do Citi será nas médias e grandes empresas

O Citibank também deve continuar assessorando financeiramente no Brasil cerca de 600 famílias multimilionárias

Aline Bronzati e Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2016 | 17h34

Há um século no Brasil, o Citibank deve continuar firme no País, mas não mais como um banco de varejo voltado para classe A. As operações da instituição americana serão concentradas em negócios de atacado, com atendimento a médias e grandes empresas. O banco também vai continuar assessorando financeiramente cerca de 600 famílias multimilionárias.

O banco vai manter-se com forte posicionamento em operações de câmbio e de custódia de investimentos estrangeiros no País, além de assessorar operações de fusões e aquisições no País, disse uma pessoa familiarizada com o assunto. Mas é só.

O foco do Citi para a área de varejo será concentrado, sobretudo, nos países da Ásia, parte da Europa e Estados Unidos, segundo a mesma pessoa. Na América Latina, somente o México deverá manter as operações de varejo.

No início de fevereiro, o banco anunciou a intenção de vender suas operações de varejo no Brasil, Argentina e na Colômbia. Os ativos do Brasil foram cobiçados pelo Santander.

Em comunicado ontem ao mercado, a instituição informou que o País continuará sendo estratégico para o banco. “Estamos no Brasil há mais de 100 anos e continuaremos a crescer a nossa franquia líder de mercado, servindo nossos clientes institucionais e de private banking, alavancando nossa presença global e gerando melhores retornos sobre nossos ativos e capital para os nossos acionistas”, disse, em nota, Jane Fraser, presidente do banco para América Latina.

Argentina. As negociações para a venda dos ativos da Argentina estão avançadas. De novo, Santander e Itaú concorrem, juntos, pelo negócio. No fim de agosto, as negociações para que o banco espanhol levassem as operações na Argentina esquentaram. Mas, no mercado, fontes afirmam que o Itaú Unibanco poderá surpreender. Até mesmo porque a operação de varejo do Citi na Argentina é melhor que a do Brasil que nos últimos anos, conforme fontes, amargou prejuízo. Os ativos do Citi na Colômbia também já estariam em fase adiantadas de negociações com o Scotiabank.

A intenção de saída do Citi do mercado brasileiro ocorre poucos meses depois que o rival HSBC anunciou a venda de suas operações no Brasil para o Bradesco por R$ 16 bilhões. Pesou, sobretudo, de acordo com fonte, o elevado volume de recursos que o banco teria de investir em tecnologia para fazer frente aos seus rivais no País, fora a baixa escala que possuía, com apenas 71 agências, e uma operação que fechou no vermelho nos últimos anos.

O movimento ocorreu em um período de recessão no Brasil. Reforça ainda a necessidade de escala para operar no País na área de varejo, concentrada em cinco bancos principais.

Com a compra do HSBC pelo Bradesco e saída do Citi do País, o único grande estrangeiro com operação relevante no varejo bancário brasileiro é o Santander.

Com a saída dos três países da América do Sul, os negócios de varejo do Citi vão se limitar a 54 milhões de clientes nos Estados Unidos, México, Ásia-Pacífico, Europa e Oriente Médio. Globalmente, o banco norte-americano tem tentado reduzir de tamanho desde a crise financeira global de 2008, com a venda de operações de varejo e redução de rede de agências em uma série de países considerados não prioritários em sua estratégia global. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.