MARCOS D'PAULA/ESTADÃO
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Após Copom, aumenta a chance de a inflação atingir dois dígitos, diz ex-diretor do BC

Segundo o economista Alexandre Schwartsman, a probabilidade de manter o IPCA dentro do limite da meta do Banco Central praticamente desapareceu após a decisão de ontem

Álvaro Campos, O Estado de S. Paulo

21 de janeiro de 2016 | 10h55

SÃO PAULO - Após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a Selic estável, anunciada na noite de ontem, aumentaram as chances de a inflação atingir dois dígitos este ano, segundo o economista Alexandre Schwartsman, ex-diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central e sócio da Schwartsman & Associados.

Para ele, a probabilidade de manter o IPCA dentro do limite da meta do Banco Central, de 6,5%, que já não era alta, praticamente desapareceu após a decisão de ontem.

"A chance de a inflação atingir algo perto de dois dígitos (8% ou 9%) este ano aumenta fortemente. Qualquer novo choque pode levar a inflação de 2016 a dois dígitos mais uma vez, enterrando qualquer sonho de que a inflação cairá para 4,5% em um horizonte razoável", diz em relatório. Schwartsman afirma que os historiadores podem lembrar da decisão de ontem do Copom como a pá de cal no regime de metas de inflação no Brasil.

O analista lembra que há 50 dias - desde a divulgação da ata da reunião de novembro - o BC vinha sinalizando que adotaria as medidas necessárias para assegurar o cumprimento das metas de inflação. Agora, no entanto, mudou o discurso, atribuindo a alteração principalmente a riscos externos.

"Mesmo que a queda nos preços do petróleo tenha acelerado mais recentemente, outros desdobramentos internacionais estão dados há algum tempo, ou seja, não existem surpresas nessa frente que poderiam justificar a repentina mudança de postura do BC, inclusive em relação à carta aberta divulgada 12 dias atrás", aponta.

Schwartsman afirma que uma interpretação mais "generosa" do comunicado do BC poderia indicar que a autoridade está esperando mais informações antes de embarcar em um novo ciclo de aperto. Entretanto, uma análise "menos benevolente" lembra os paralelos entre a decisão de ontem e a desastrosa mudança na postura da política monetária em 2011. Naquela ocasião, o BC também usou o cenário externo como justificativa para reduzir os juros. "Esse foi o evento que gerou a atual aceleração da inflação, já que baixar a Selic mesmo com a inflação subindo eventualmente prejudicou a credibilidade do BC, sem volta", escreve. 

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