Após Copom, Bovespa cai para menor nível em 6 meses

Ordem de vendas de ações da Vale e Petrobras levam Bolsa de SP a desabar 3,34% no pregão desta quinta

Claudia Violante, da Agência Estado,

24 de julho de 2008 | 17h08

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) despencou mais de 3%, empurrada pelas ordens de vendas de estrangeiros, concentradas em Vale e Petrobras e siderurgia. A queda foi tão firme que, no finalzinho do pregão, os níveis de preços atingiram pontos de stop loss e as perdas se agravaram. Com isso, a Bolsa doméstica - que trabalhou o dia todo colada em Nova York - terminou no menor nível desde 23 de janeiro deste ano (54.234,8 pontos). Veja também:Dólar cai 0,32% e fecha no menor nível desde 99Copom surpreende e sobe juro em 0,75 ponto, maior em 5 anosA evolução da taxa Selic no governo Lula   O Ibovespa registrou baixa de 3,34%, aos 57.434,4 pontos. Durante o dia, oscilou entre a mínima de 57.334 pontos (-3,51%) e a máxima de 59.641 pontos (+0,37%). No mês, as perdas já atingem 11,66% e, no ano, são de 10,10%. O volume financeiro negociado nesta quinta-feira, 24, totalizou R$ 6,997 bilhões (preliminar).  O pregão doméstico acompanhou o declínio das principais bolsas internacionais, com os sinais de desaceleração econômica pipocando na Europa e nos Estados Unidos. Mas, no finalzinho da sessão, as ordens de vendas se multiplicaram, já que muitos papéis e o próprio Ibovespa atingiram pontos de stop loss. No caso da Vale, por exemplo, as ações PNA começaram a sair das carteiras quando o preço atingiu R$ 39,90 e, no Ibovespa, quando baixou de 58 mil pontos.  Antes disso, estas ações vinham sofrendo com a fuga de estrangeiros, que continuam a se desfazer de Brasil para ou honrar perdas em outros mercados ou apenas para se proteger da volatilidade insana que tomou conta dos negócios nas últimas semanas.  O ímpeto de vendas destes investidores sequer deu chance para a alta do petróleo repercutir sobre Petrobras. As ações ON derreteram 4,86% e as PN, 4,43%. Vale ON despencou 4,67% e PNA, 5,05%. Usiminas PNA liderou as perdas do Ibovespa ao cair 6,71%. Gerdau PN tombou 6,12% e CSN ON, -5,11%.  Europa Na Europa, as bolsas caíram depois que o Reino Unido anunciou que as vendas no varejo registraram em junho a maior queda mensal desde o início do acompanhamento do indicador em 1986, e também depois que, na Alemanha, o Instituto Ifo informou que o índice de sentimento empresarial caiu pelo quarto mês consecutivo para o menor patamar desde setembro de 2005. Em Londres, o índice FT-100 caiu 1,61% e fechou com 5.362,3 pontos; em Paris, o índice CAC-40 recuou 1,38% e fechou com 4.347,99 pontos; em Frankfurt, o índice Xetra-Dax caiu 1,46% e terminou em 6.440,70 pontos.  Nos Estados Unidos, as vendas de imóveis residenciais usados nos EUA caíram muito mais do que o dobro do previsto - 2,6% ante 0,8% estimado, e os pedidos de auxílio-desemprego aumentaram em 34 mil, ante previsão de elevação de 14 mil. Os balanços também não agradaram, com destaque para a Ford, que registrou baixa contábil de US$ 7,4 bilhões no segundo trimestre e anunciou prejuízo líquido de US$ 8,67 bilhões (US$ 3,88 por ação). Analistas previam prejuízo de US$ 0,27 por ação.  Dow Jones terminou em baixa de 2,43%, aos 11.349,3 pontos, o S&P recuou 2,31% e o Nasdaq, 1,97%. O petróleo, que nos últimos dias também vinha ajudando os índices a subirem, nesta quinta avançou 0,84% no contrato para setembro, para terminar em US$ 125,49.  "Os pedidos de auxílio-desemprego subiram e o setor de moradia continua a cair. Não foram boas notícia para a economia e trouxeram o medo de volta", disse Kevin Giddis, diretor-gerente do Morgan Keegan & Co. As notícias econômicas "proporcionaram um cenário para a liquidação", disse Paul Nolte, diretor de investimentos da Hinsdale Associates, para a Dow Jones. Segundo o gestor da Umuarama Rafael Moysés, a alta acima das apostas majoritárias do mercado para a Selic também teve impacto sobre a Bovespa hoje. Mas ele foi limitado e aconteceu mais por causa das revisões sobre a expansão econômica em 2009, já que o juro caro deve limitar o crédito.

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