Após corte esperado, mercado se concentra na ata do Copom

Após verem confirmada sua expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic (agora em 12,75% ao ano), que foi acompanhada por um comunicado curto no qual o Comitê de Política Monetária (Copom) não deu indicações de qual poderá ser seu próximo passo, analistas se concentram agora em tentar antecipar o teor da ata da reunião, que será divulgada na semana que vem. A aposta majoritária é que o documento sinalizará a continuidade do ciclo de cortes de 25 pontos-base nos próximos meses. Outro ponto importante será ver qual a avaliação que o BC fará da recente turbulência nos mercados externos."Acredito que o tom da ata será no geral neutro, talvez com um ligeiro toque menos conservador, abrindo caminho para novos cortes na taxa", afirmou Nuno Camara, economista sênior do Dresdner Kleinwort. "Mas não creio que o BC vá voltar a cortar a Selic em 50 pontos-base, e portanto não acho que haverá qualquer indicação desse tipo na ata." Segundo ele, salvo um choque positivo nos preços, não há nenhum indicador econômico que "poderia possivelmente levar o BC elevar a magnitude" dos cortes na Selic. "A estratégia é cortar gradualmente para estender o ciclo de relaxamento monetário", disse.Paulo Leme, economista do Goldman Sachs, observou que a ata deverá ser redigida pelo novo diretor de Política Econômica do BC, Mário Mesquita, que substituiu nesta semana Afonso Bevilaqua. "Será uma transição tranqüila", disse Leme. De acordo com ele, a ata deverá conter uma avaliação positiva sobre as perspectivas da inflação baixa e uma posição cautelosa em relação aos efeitos retardados do ciclo de relaxamento monetário. "Sinalizando portanto que é apropriado se continuar o ciclo de relaxamento num ritmo de cortes de 25 pontos-base", disse. "A única nova informação a ser adicionada no documento deverá refletir os riscos gerados pelo mercado financeiro externos mais volátil."Mesmo assim, observou Leme, o Copom vai ressaltar "o quanto o Brasil está preparado para lidar com um ambiente externo" mais difícil.RiscoLars Christensen, analista sênior do Danske Bank, também aposta na continuidade dos cortes de 25 pontos-base. Mas alerta que um agravamento do cenário externo poderá alterar essa expectativa. "O real continuou notavelmente forte durante a elevação da aversão ao risco global e a desmontagem das operações de carregamento", afirmou. "Continuamos a ver um risco significativo de mais turbulência nos mercados emergentes e certamente não descartaríamos uma pressão de venda sobre o real, que obviamente limitaria o espaço para o relaxamento monetário. Portanto, monitore o real cuidadosamente", concluiu.

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