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Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Após crise, dívida alta e nova bolha de ativos assombram países

EUA e Japão tentam conter déficit fiscal e temem volta à recessão, enquanto China luta contra hipervalorização

estadao.com.br,

18 de novembro de 2009 | 14h44

Passado o auge da crise financeira global, as principais economias do mundo têm agora o desafio de impulsionar a economia e o emprego e, ao mesmo tempo, reduzir o déficit fiscal e evitar novas bolhas de ativos que tragam de volta o fantasma da recessão. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, alertou nesta quarta-feira, 18, que a elevada dívida pública pode levar o país a mergulhar em um novo processo recessivo. O Japão também foi alertado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) sobre o seu déficit fiscal, que pode subir para mais de 200% do PIB até 2011. Enquanto isso, a China teme a formação de uma bolha nos preços de ativos nos setores imobiliário e acionário.

 

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O governo dos EUA está considerando formas de acelerar o crescimento, sendo que medidas tributárias estão entre as opções para dar incentivos às empresas para contratarem, segundo Obama. "É importante reconhecer que se elevarmos a dívida, mesmo no meio da recuperação, em algum momento as pessoas podem perder a confiança na economia norte-americana, o que pode levar a uma nova recessão", afirmou ele na entrevista ao canal.

 

No Japão, as recomendações vêm no momento em que o governo luta para equilibrar mais medidas de estímulo econômico com a necessidade de conter a expressiva dívida pública. Em cerca de 170% do PIB, a dívida já é a maior entre os países da OCDE e provavelmente vai superar 200% até 2011, disse a organização em relatório "Apoiando os Objetivos de Política do Japão", divulgado nesta quarta.

 

A organização sediada em Paris disse que o governo japonês deve reexaminar os planos para dar dinheiro a famílias com crianças, ao mesmo tempo que deve aumentar os esforços para elevar a participação das mulheres na força de trabalho e utilizar a receita proveniente de elevações propostas no imposto sobre o consumo para reconstruir as finanças do país.

 

Já na China, o governo veem advertindo para o risco de uma bolha de ativos, com as preocupações concentradas nos setores imobiliário e acionário. O conselheiro do Banco do Povo da China, Fan Gang, alertou para o risco de formação de bolha nos preços de alguns ativos em consequência do reduzido nível das taxas de juro e da forte elevação na oferta de recursos pelo mundo.

 

Fan reiterou ainda que a China deve manter as políticas fiscais de expansão durante 2010, já que é necessária continuidade para sustentar a recuperação do país. Segundo ele, a inflação não é um risco em um futuro previsível, uma vez que os preços dos alimentos se estabilizaram. Ele também não prevê uma recuperação com dois vales (períodos recessivos) na China, mas acredita que os Estados Unidos correm esse risco. Fan observou que os efeitos dos pacotes de estímulo norte-americanos deverão diminuir no ano que vem e que a elevada taxa de desemprego e os ativos tóxicos podem prejudicar as perspectivas para o crescimento norte-americano.

 

Fan estimou, no entanto, que o país irá crescer entre 8% a 9% no ano que vem. A projeção também reitera comentários recentes de autoridades chinesas de que estão confiantes na capacidade de a expansão atingir a meta de 8% do governo para este ano.

 

Brasil

 

A combinação de valorização do real com a piora das contas do governo fez a dívida líquida do setor público dar um salto em 2009, atingindo 44,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em setembro. O número é 6,1 pontos porcentuais maior que o endividamento do País em relação ao PIB em dezembro de 2008.

 

O salto é comparável ao verificado em 2002, ano em que o País praticamente quebrou em meio às incertezas trazidas pelas eleições presidenciais e o dólar foi negociado perto de R$ 4. Naquele momento, a dívida havia subido sete pontos, para 56,9% do PIB, e a capacidade de o País honrar suas dívidas foi seriamente questionada.

 

Praticamente metade da alta no endividamento atual - 2,9 pontos porcentuais - é decorrente da queda do dólar em relação ao real. Como o Brasil tem mais ativos do que dívidas em dólar, quando a moeda americana cai, os créditos do País, como as reservas internacionais, perdem valor. Quando o dólar sobe, como ocorreu no fim do ano passado, no auge da crise, a dívida cai.

 

(com Reuters, Agência Estado e Fabio Graner e Fernando Nakagawa, de O Estado de S. Paulo)

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