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Após crise, vendas de bens de capital reagem

Em algumas empresas, o crescimento dos negócios chega a 44% em relação ao ano passado, especialmente para o mercado interno

Alberto Komatsu, RIO, O Estadao de S.Paulo

23 de agosto de 2009 | 00h00

Depois de demitir 19 mil trabalhadores desde dezembro por causa da crise, o maior corte de sua história, as fabricantes de bens de capital começam a reagir ao freio nos investimentos no País, que custou a queda de 30% nas vendas, no auge do clima de desconfiança mundial. A percepção do início de uma melhora e os dados de impacto negativo são da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq)."Nós somos a indústria de fazer indústria. Se ela, como um todo, fica ansiosa por causa da queda de demanda, nós somos os primeiros a sentir, mas os últimos a sair da crise", afirma o vice-presidente da Abimaq, José Velloso. Ele destaca que os efeitos da crise ainda custam um recuo de 20% nas vendas do setor no acumulado de 2009, mas lembra que entre os 30 subsetores de bens de capital há alguns que nem sentiram, outros que estão se recuperando e os que ainda estão mergulhados na crise.A Tenaris Confab, por exemplo, trabalha basicamente com produtos por encomenda e tem registrado crescimento superior a 20% na receita com equipamentos desde o último trimestre de 2008. De janeiro a março deste ano, a expansão nas vendas foi de 44% na comparação com o mesmo período do ano passado. No segundo trimestre, a alta foi de 24% em relação a igual intervalo de 2008. Já na área de tubos, a Tenaris Confab registrou aumento de 4% nas vendas domésticas no primeiro trimestre, uma reação ao recuo de 43% na receita do quarto trimestre de 2008, comparando-se com igual período anterior. No segundo trimestre, porém, nova queda, agora de 15%."Tanto o volume de vendas local quanto o de exportação são resultados de projetos que temos em carteira. Na área de tubos, foram feitos projetos importantes em 2007, que não conseguimos repetir em 2008", afirma o diretor financeiro e de Relações com Investidores da Confab, Marcelo Barreiro. Segundo ele, não houve um cenário de cancelamento de obras, mas uma redução de atividades no último trimestre, que é sazonal.A Usikraft, fabricante de máquinas e equipamentos para a indústria moveleira, é um exemplo de como esse setor sentiu fortemente a crise no último trimestre do ano passado, mas conseguiu reagir. De um faturamento mensal médio de R$ 600 mil, a empresa viu seus ganhos mensais despencarem para R$ 200 mil. No mês passado, a receita saltou para R$ 1,2 milhão, o dobro de sua média histórica.Segundo o presidente da empresa, Paulo Mendes, a reação veio porque a Usikraft trabalha com pequenas empresas, principalmente, marceneiros. Já as fornecedoras para fabricantes de móveis de grande porte, diz ele, ainda amargam a crise. "A nossa margem de lucro caiu bastante porque esse pessoal de grande porte que faz máquina para exportar começou a atacar o mercado interno, onde a disputa comigo foi maior. A máquina que eu vendia por R$ 100 mil estou vendendo a R$ 70 mil", afirma o presidente da Usikraft, sediada em Curitiba (PR).Mendes conta que teve de investir R$ 1,1 milhão este ano para ampliar em 40% a sua produção e atender à demanda. Também contratou 25 pessoas, elevando para 80 trabalhadores o seu quadro total. "Nessa época de crise a gente lança bastante novidade. Se ficar de braço cruzado, reclamar e não levantar da cadeira, aí a coisa fica pior", afirma Mendes."Depois do tsunami, que refletiu em quedas de até 60% nas vendas entre algumas fabricantes de bens de capital, o setor está começando a reagir", afirma o ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda Júlio Sérgio Gomes de Almeida, também professor de economia na Unicamp.A Ciber, fabricante de máquinas e equipamentos para construção de rodovias, sentiu o impacto da crise nas exportações. Em setembro, conta o presidente da empresa, Walter Rauen, houve uma parada de uma semana nos negócios por conta da escassez de crédito entre seus clientes. Em dezembro e janeiro, segundo ele, houve uma redução das vendas por conta das férias nas construtoras."Nós crescemos este ano 30% até julho, sobre o mesmo período de 2008. O que aconteceu? O nosso mix de vendas mudou", afirma Rauen. Segundo o executivo, no ano passado 60% das vendas estavam concentradas no mercado brasileiro e os 40% restantes, no exterior. Atualmente, a proporção do faturamento no Brasil passou para 76%. Já a fatia das exportações recuou para 24%. "O mercado brasileiro, no início de janeiro para cá, tomou uma proporção muito maior. Estávamos num crescimento forte no mercado africano, na Nigéria, Angola. Com a queda do petróleo, já que esses países têm economia baseada nesse setor, houve uma parada de investimentos", afirma o presidente da Ciber.A reação no mercado interno, conta Rauen, teve a contribuição das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), mas foi influenciada mais fortemente pelas concessões rodoviárias licitadas no ano passado.

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