Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Maria Silvia, ex-CSN, vai comandar o BNDES; Meirelles anuncia equipe nesta terça-feira

Executiva Maria Sílvia Bastos substituirá Luciano Coutinho no comando do banco de fomento

Gustavo Porto e Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2016 | 18h26

BRASÍLIA - O nome da executiva Maria Silvia Bastos Marques foi confirmado nesta segunda-feira para a presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em substituição a Luciano Coutinho. O anúncio foi feito à tarde, em comunicado distribuído pela Presidência da República. Após as críticas que o presidente em exercício Michel Temer (PMDB) sofreu por não ter nomeado mulheres para o Ministério, a primeira confirmação de indicação feminina veio para o principal instrumento de crédito do governo ao setor produtivo.

 “O presidente Michel Temer a escolheu pela sua competência”, disse o ministro do Planejamento, Romero Jucá. Será a Jucá que Maria Silvia se reportará, depois da mudança administrativa que transferiu o BNDES do Ministério do Desenvolvimento para o Planejamento. Jucá preferiu não alimentar a polêmica sobre a representatividade feminina no governo. “É um convite para alguém competente e experiente para fazer um bom trabalho”, desconversou.

Jucá participa nesta terça-feira de simpósio na sede do BNDES, no Rio de Janeiro. Para o evento estava prevista a participação de Coutinho. O ministro não soube dizer se Maria Silvia, que estava com viagem marcada ao exterior, comparecerá. A executiva retorna ao banco onde atuou como diretora de 1991 a 92, durante o governo Collor, quando Eduardo Modiano presidia a instituição. Sua carreira inclui também a presidência da siderúrgica CSN e da Icatu Seguros.

A escolha para o BNDES é mais um capítulo na definição da equipe econômica do governo. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, havia previsto para esta segunda-feira o anúncio de sua equipe, mas transferiu para terça-feira a divulgação. Por enquanto, o único nome confirmado por Meirelles no ministério foi o de seu “número dois”, Tarcisio Godoy, secretário executivo. 

Segunda-feira, Meirelles foi ao Banco Central, onde se reuniu com Alexandre Tombini. Ao retornar à Fazenda, disse laconicamente que a conversa com o presidente do BC “foi muito boa”. A substituição de Tombini – que deve ficar ao menos até junho à frente do banco – é uma das questões acompanhadas mais de perto pelo mercado financeiro. O nome mais cotado para assumir o cargo continua sendo o do economista Ilan Goldfajn, atualmente no Itaú. 

“O anúncio era o que de mais relevante havia para acontecer hoje (segunda-feira)”, disse a economista-chefe da gestora ARX Investimentos, Solange Srour, que destacou o desconforto do mercado com a demora da divulgação dos principais nomes, que analistas entendiam como certos. Mansueto Almeida era um deles, mas o economista não deve assumir o Tesouro, como se cogitava. Deve assumir uma secretaria extraordinária.

BB e Caixa. Os nomes dos presidentes dos bancos públicos podem não ser anunciados nesta terça-feira. Funcionário de carreira da Caixa, Gilberto Occhi foi indicado pelo PP e estava praticamente certo na presidência da instituição. Mas pode não ser oficializado nesta terça-feira. 

No Banco do Brasil, Alexandre Abreu, que nas primeiras informações estava cotado para permanecer ao menos por mais algum tempo na presidência, deve ceder lugar para Gustavo do Vale, atualmente presidente da Infraero. Ex-diretor e funcionário de carreira do BC, Valle foi indicado pelo próprio PMDB, mas o martelo também não foi batido ainda. 

O secretário do Tesouro Nacional, Otavio Ladeira, será mantido no cargo. Jorge Rachid também permanecerá no comando da Receita Federal. A Secretaria de Política Econômica ficará sob o comando de Carlos Hamilton, ex-diretor do BC. O procurador-geral da Fazenda Nacional, Fabrício Da Soller, também deverá ficar no cargo. / ADRIANA FERNANDES, ANNE WARTH, EDUARDO RODRIGUES, GUSTAVO PORTO, KARLA SPOTORNO, MURILO RODRIGUES ALVES E RACHEL GAMARSK

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