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Após críticas, presidente da ABDI deve ser exonerado; Igor Calvet é cotado para o cargo

Luiz Augusto Ferreira disse ter sido pressionado pelo secretário a bancar o aluguel de salas em São Paulo sem necessidade

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2019 | 22h05

Brasília - Depois de acusar o secretário de Produtividade e Emprego do Ministério da Economia, Carlos da Costa, de fazer pedidos "não republicanos", o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Luiz Augusto Ferreira, deve ser exonerado nos próximos dias. Segundo fontes, o secretário ajunto de Produtividade, Igor Calvet, é o mais cotado para assumir a agência. Calvet é o número dois da secretaria de Costa.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Ferreira disse ter sido pressionado por Carlos da Costa a bancar o aluguel de salas em São Paulo sem necessidade. De acordo com o presidente da ABDI, o aluguel serviria para abrigar escritórios da secretaria e criaria um custo adicional de R$ 500 mil por ano à agência, que é mantida por meio de repasses de recursos do Sistema S. Ele não quis revelar que outros pedidos "não republicanos" teriam sido feitos pelo secretário.

Mais cedo, o presidente Bolsonaro disse que "um dos dois, ou os dois perderão a cabeça". Segundo o Estadão/Broadcast apurou, o Ministério da Economia concluiu nesta segunda-feira os trâmites para a exoneração de Ferreira e o pedido foi enviado para a presidência da República. Cabe ao presidente Bolsonaro nomear ou demitir os dirigentes da ABDI.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, teria conversado com Bolsonaro sobre o assunto. A disputa entre os subordinados teria desagradado Guedes, que considera, segundo interlocutores, que o governo não pode perder tempo com brigas internas.

Costa divulgou nota em que afirmou que "refuta terminantemente ter feito qualquer pedido não republicano" e disse que já está adotando medidas para acionar a Justiça contra "denúncias infundadas". "Todas as solicitações feitas pelo secretário foram literal e rigorosamente pautadas pelos princípios de economicidade, legalidade e legítimo interesse público", afirma o texto.

A relação entre Ferreira e Costa vem se deteriorando nos últimos meses e o conflito culminou em uma reunião do conselho deliberativo da ABDI, do qual o secretário é presidente. Costa teria questionado gastos da agência, entre eles o de cerca de R$ 7 milhões com um único escritório de advocacia, o que representa 8% do orçamento da agência.

Ferreira disse que a despesa se refere ao pagamento de honorários em um único caso, no qual a ABDI foi vencedora e recebeu R$ 65 milhões. O contrato previa o pagamento apenas se a causa fosse ganha e 11% de honorários, porcentual, segundo ele, abaixo do cobrado no mercado.

"Não faz o menor sentido os questionamentos do secretário. Ele sequer sabe do que está falando. Ele próprio aprovou as contas apresentadas no conselho de administração", afirmou. "Estou aguardando ser chamado para a apuração que o presidente da República determinou. Não existe governo do Carlos da Costa. Existe governo do presidente Bolsonaro".

Ação judicial

O porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, disse que o secretário especial de Produtividade e Emprego do Ministério da Economia, Carlos da Costa, está preparando ação judicial contra presidente Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Luiz Augusto Ferreira.

 

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