Jim Watson/AFP
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Coluna

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Mercados internacionais fecham sem sentido único com debate e estímulos fiscais nos EUA

Bolsas da Ásia e da Europa se abalaram com o debate presidencial duro dos EUA na última terça, mas a chance de aprovação de novas medidas de incentivo pelo governo americano animou Nova York

Gabriel Bueno da Costa e Célia Froufe, correspondente, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2020 | 07h30
Atualizado 30 de setembro de 2020 | 19h05

SÃO PAULO E LONDRES - As Bolsas da Ásia e da Europa não tiveram sinal único nesta quarta-feira, 30, com os investidores atentos à política dos Estados Unidos, após- um debate duro na noite de terça-feira, 29, entre Donald Trump e Joe Biden, e também a riscos à perspectiva com a covid-19, bem como a indicadores da China. Em Nova York, no entanto, o clima foi positivo, com o mercado refletindo a possibilidade de um novo pacote de estímulos fiscais no país americano.

Depois de um debate marcado por interrupções e insultos, descrito pela imprensa internacional como “amargo”, “duro”, “violento” e “caótico”, a avaliação de analistas é a de que ele não mudou a opinião de eleitores indecisos. Os futuros de Nova York, que também operam em baixa agora cedo, podem indicar, porém, que Joe Biden teria se saído melhor do que o presidente Donald Trump. Uma vitória do candidato democrata pode representar aumento de impostos corporativos, o que teria impacto no mercado de ações - ele prometeu elevar a tributação de empresas de 21% para 28%. 

No entanto, em Wall Street, o debate ficou em segundo plano, com o mercado mais preocupado na aprovação de um novo pacote de estímulos fiscais, apesar do desencontro de informações. No final da tarde, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, disse que governo e oposição ainda estão "muito longe" de um acordo por uma nova rodada de estímulos fiscais. Mais cedo, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, havia citado progresso nas conversas, após se reunir com lideranças democratas e com o chefe de gabinete da Casa Branca, Mark Meadows, mas disse que ainda não há acordo.

Na agenda de indicadores, o índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) oficial da indústria da China aumentou de 51,0 em agosto a 51,5 em setembro, acima da previsão de 51,2 dos analistas. O PMI de serviços subiu de 55,2 em agosto a 55,9 em setembro. Já o PMI da indústria chinesa elaborado pela IHS Markit e pela Caixin caiu de 53,1 em agosto a 53,0 em setembro, embora continue confortavelmente acima da marca de 50, que aponta para expansão nessa pesquisa. 

Bolsas da Ásia 

Na China, a bolsa de Xangai fechou em queda de 0,20%, enquanto a de Shenzhen subiu 0,05%. O pregão hoje foi o último antes de um feriado prolongado, que fechará os mercados no país. Já o japonês Nikkei fechou em baixa de 1,50%, após a queda de ações do setor financeiro. O Hang Seng fechou com ganho de 0,79% em Hong Kong, o Taiex avançou 0,38% em Taiwan e o sul-coreano Kospi subiu 0,86%. Assim como os chineses, os dois últimos índices ficaram fechados por conta de feriados locais.

Na Oceania, a bolsa australiana registrou queda de 2,29%. Entre os setores, o de energia sofreu maior pressão, com baixa de 4,2%. 

Bolsas da Europa 

"Os mercados europeus abriram em baixa esta manhã e, embora a atenção esteja voltada para os eventos de ontem à noite nos EUA, a preocupação real continua sendo em torno da crescente probabilidade de que a segunda onda de preocupações reduza a atividade econômica no final do ano", sinalizou Michael Hewson da CMC Markets, citando o debate presidencial nos EUA, mas também a preocupação com a covid-19.

Por lá, o Stoxx 600 teve baixa de 0,11%, enquanto a bolsa de Londres perdeu 0,53%, após as ações da Royal Dutch Shell caírem 2,02%. Frankfurt recuou 0,51% e Paris cedeu 0,59%. Ainda por lá, Milão teve perda de 0,24%, mas Madri e Lisboa registraram ganhos de 0,04% e 0,84% cada.

Bolsas de Nova York

Apoiadas pela possibilidade de novos estímulos fiscais, as bolsas de Nova York, mesmo assim, fecharam o pregão em alta. O Dow Jones subiu 1,20%, o S&P 500 avançou 0,83% e o Nasdaq ganhou 0,74%, a 11.167,51 pontos. Os três índices acionários registraram ganhos de 7,63%, 8,47% e 11,02%, respectivamente, no terceiro trimestre de 2020, encerrado hoje e marcado por um rali nas ações de grandes empresas de tecnologia.

Em setembro, porém, os índices acumularam perdas mensais, de 2,28%, 3,92% e 5,16%, pela primeira vez desde março, auge da deterioração causada pela pandemia nos ativos de risco. Neste mês, surgiram dúvidas sobre os fundamentos da alta no mercado acionário e uma segunda onda de covid-19 na Europa. Além disso, aumentou a incerteza eleitoral, com o pleito presidencial nos EUA cada vez mais próximo.

Petróleo 

Os contratos futuros do petróleo fecharam o pregão desta quarta-feira, o último do mês e do trimestre, em alta, impulsionados por uma queda dos estoques semanais nos Estados Unidos e em meio ao otimismo com negociações em Washington por um novo pacote fiscal. Ajudou também a divulgação dos dados do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE, na sigla em inglês). Segundo o órgão, houve uma redução de 1,98 milhão de barris nos estoques de petróleo em território americano.

Hoje, o petróleo WTI para novembro subiu 2,37%, a US$ 40,22 o barril, mas recuou 5,61% no mês. Já o Brent para o dezembro avançou 1,78%, a US$ 42,30 o barril, com queda de 6,58% em setembro./COLABOROU MAIARA SANTIAGO

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