Kazuhiro Nogi/AFP
Kazuhiro Nogi/AFP

Após 'decepção' com Fed, mercados internacionais fecham em queda generalizada

Desagradou comentário do presidente do banco central dos Estados Unidos, Jerome Powell, de que alguns setores da economia americana irão demorar mais tempo para se recuperar

Sergio Caldas, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2020 | 07h30
Atualizado 17 de setembro de 2020 | 20h33

As Bolsas da Ásia, Europa e Nova York fecharam majoritariamente em baixa nesta quinta-feira, 17, após o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) falhar em sinalizar possíveis novas medidas de estímulos na quarta-feira, 16, quando deixou seus juros inalterados. Nesta quinta, o Banco do Japão (BoJ) e o Banco da Inglaterra (BoE) também mantiveram suas políticas monetárias. 

A manutenção dos juros por parte do Fed na faixa atual de 0% a 0,25% já era prevista e indicou que a instituição o deixará neste nível até pelo menos 2023. Porém, não houve qualquer sinalização de que possa relaxar ainda mais sua política. "Embora tenha prometido manter os juros baixos, o Fed não preparou o terreno para quaisquer novos estímulos para a bombardeada e ferida economia dos EUA", avaliou o banco IG.

Também desagradou um comentário do presidente do Fed, Jerome Powell, de que alguns setores da economia americana irão demorar mais tempo para se recuperar e de que para alguns, essa melhora virá apenas com a criação de uma vacina para o coronavírus.

Bolsas da Ásia

No Japão, o BoJ igualmente deixou intactas as configurações de sua política monetária durante a madrugada, mas melhorou sua avaliação da economia japonesa. Em coletiva de imprensa, o presidente do BC japonês, Haruhiko Kuroda, disse que manterá comunicação próxima com o novo primeiro-ministro do país, Yoshihide Suga, que assumiu no lugar de Shinzo Abe.

O índice Nikkei caiu 0,67% hoje na Bolsa de Tóquio, pressionado por ações do setor ferroviário, enquanto o Hang Seng recuou 1,56% em Hong Kong, o sul-coreano Kospi se desvalorizou 1,22% em Seul e o Taiex registrou baixa de 0,80% em Taiwan. Já na China continental, o Xangai Composto encerrou o pregão com queda de 0,41%, mas o menos abrangente Shenzhen Composto teve alta marginal de 0,08%. Na Oceania, a Bolsa australiana seguiu o tom predominante da Ásia, apesar de a taxa de desemprego do país ter apresentado uma queda inesperada, de 7,5% em julho para 6,8% em agosto. O S&P/ASX 200 caiu 1,22% em Sydney

Bolsas da Europa 

Na Europa, o Banco da Inglaterra também manteve sua política monetária inalterada, mas fez um discurso mais positivo que o Fed. o BoE discutiu hoje a possibilidade de adotar taxas de juros negativas. Segundo a ata do encontro, o comitê de política monetária foi informado sobre os planos do órgão sobre como implementar uma taxa negativa "eficientemente caso a perspectiva de inflação e de produção" justifique o uso do instrumento "em algum momento".   

Mesmo assim, a decisão de não alterar a taxa segurou os ganhos da bolsa de Londres, que caiu 0,47%. O resultado do Fed também pesou: o Stoxx 600 encerrou em baixa de 0,51%, a bolsa de Frankfurt caiu 0,36% e a de Paris recuou 0,69%. MilãoMadri e Lisboa cederam 1,12%, 0,35% e 0,16% cada.

Bolsas de Nova York

No pregão pós-decisão do Fed, Dow Jones recuou 0,47%, o S&P 500 caiu 0,84% e o Nasdaq cedeu 1,27%. Por lá, as gigantes do setor de tecnologia voltaram a realizar lucros e consecutivamente cair. As ações de Apple, Apple e Microsoft caíram 1,60%, 3,30% e 1,40% cada. 

No mercado acionário americano, o foco ficou também na aprovação de novas medidas de incentivo pelo Congresso americano. Nesta quinta, o Diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Larry Kudlow, disse que o pacote fiscal de US$ 1,5 trilhão está "na faixa da possibilidade", segundo a agência de notícias Dow Jones.

Petróleo 

Os contratos futuros de petróleo fecharam em território positivo hoje, após membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) ressaltarem em reunião a importância de manter o corte na oferta de barris e apoiar os preços, ainda instáveis por conta da queda da demanda causada pela pandemia.

Hoje, o WTI para outubro encerrou com alta de 2,02% a US$ 40,97 o barril, enquanto o Brent para novembro teve ganho de 2,56%, a US$ 43,30 o barril./COLABOROU MAIARA SANTIAGO

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