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Mercedes vai demitir 1,5 mil trabalhadores na fábrica de São Bernardo do Campo

Montadora começou a dispensar funcionários por telegrama na sexta; trabalhadores decretaram greve por tempo indeterminado na manhã desta segunda

Luiz Guilherme Gerbelli, Cleide Silva , O Estado de S. Paulo

24 de agosto de 2015 | 09h10

Atualizado às 16h50

A Mercedes-Benz vai demitir 1,5 mil trabalhadores da fábrica de São Bernardo do Campo. Na manhã desta segunda-feira, os funcionários da montadora realizaram uma assembleia na porta da companhia e decretaram greve por tempo indeterminado em protesto contra os cortes iniciados na sexta-feira. 

A empresa começou a enviar telegramas na semana passada comunicando a demissão para parte dos 7 mil funcionários que estavam em licença remunerada. Os trabalhadores deveriam retomar ao trabalho hoje.

No comunicado, a Mercedes informou que o período de licença, iniciado no dia 7 para todo o pessoal da produção, será prorrogado para o grupo de demitidos, e que a efetivação da dispensa ocorrerá em 1.º de setembro.

"A luta pelo emprego vai ser longa. Quando a empresa toma uma decisão como essa, ela pensou e repensou nas consequências. A gente sabe que não vai ser uma mobilização de um dia, dois dias, três dias que vai resolver o problema. Vai ser preciso muita luta e disposição", afirmou Sergio Nobre, diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT). "Nós não podemos, num dia como hoje, entrar para a fábrica como se não tivesse acontecido nada", disse.

A montadora já havia informado ter um excedente de 2 mil trabalhadores na fábrica que produz caminhões, ônibus e componentes, o equivalente a 20% de seu quadro total, de 10 mil pessoas. Por meio de nota, a companhia disse que "tem adotado desde o início de 2014 várias medidas para tentar gerenciar o excesso de pessoas frente à drástica queda nas vendas de caminhões e ônibus no mercado brasileiro, como semanas curtas, férias e folgas coletivas, licenças remuneradas e várias oportunidades de desligamento voluntário."

Na semana passada, a empresa e o sindicato tentaram um acordo para evitar as demissões, mas não houve consenso entre as partes. O sindicato aceitava discutir a adoção do Programa de Proteção ao Emprego (PPE), que prevê redução de jornada e salários em até 30%.

A empresa, que opera com 60% de sua capacidade, porém, insistiu na necessidade de adotar o PPE em conjunto com medidas de redução do reajuste salarial em 2016 e suspensão de promoções salariais.

"Essa decisão da Mercedes não afeta só os 2 mil trabalhadores. O Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos)  já tem números que mostram que, a cada trabalhador demitido numa montadora, pelo menos mais quatro na cadeia de produção perdem o emprego", afirmou Nobre.


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