Maxim Shemetov/Reuters
Maxim Shemetov/Reuters

Após despencar, rublo recupera parte das perdas; Moscou culpa ‘emoções’ do mercado

Porta-voz de Putin atribui crise cambial a 'humor especulativo'; bancos de Moscou começam a ficar sem dólares

O Estado de S. Paulo

16 Dezembro 2014 | 15h02

Atualizado às 22h50

O porta-voz do presidente russo Vladimir Putin atribuiu a queda acentuada do rublo nos últimos dois dias às "emoções" e ao "humor especulativo" no mercado. Dmitri Peskov fez a declaração em entrevista à agência de notícias estatal Novosti nesta terça-feira. 

A Rússia vive nesta semana uma crise cambial alimentada pelas sanções ocidentais e pela queda do preço do petróleo. A forte desvalorização do rublo levou o Banco Central russo a elevar drasticamente a taxa de juros na noite de segunda-feira. Em uma só tacada, o juro subiu 6,5 pontos porcentuais: de 10,5% para 17%.

A divisa chegou a cair mais de 30% nesta terça-feira, após já ter recuado 10% no dia anterior. Os bancos de varejo em Moscou já começam a ficar sem a moeda norte-americana, à medida que os russos tentam vender o desvalorizado rublo. Ao longo do dia, contudo, a moeda russa acabou reduzindo um pouco as perdas. 

No fim do dia, o rublo era cotado a 68,4 por dólar, uma queda de mais de 10%. Esse freio foi causado por especulações sobre um possível controle de capital a ser determinado por Moscou - informação que foi negada pelo ministro da Economia Alexei Ulyukayev.

Segundo ele, o governo irá adotar apenas algumas medidas regulatórias, que não foram especificadas. "As medidas têm como objetivo equilibrar a demanda e a oferta de moeda no mercado doméstico", afirmou.  Ulyukayev afirmou ainda que o rublo está desvalorizado e que sua cotação "não corresponde aos fundamentos da economia". O ministro também defendeu o forte aumento da taxa de juros. "Isso talvez deveria ter acontecido antes", disse. "Mas a combinação dos juros mais altos com essas medidas que estamos propondo darão resultados." 

Os pregões em todo mundo nesta terça foram marcados por turbulênciasO principal índice de ações europeias, no entanto, fechou em alta, recuperando-se na reta final do pregão à medida que o rublo russo anulou boa parte das perdas do dia contra o dólar, enquanto os preços do petróleo também ganhavam terreno. O índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações do continente, subiu 1,90%. Por aqui, o Ibovespa terminou o dia perto da estabilidade, depois de passar por uma sessão altamente volátil. 

Segundo os analistas, as mudanças da política monetária podem empurrar a Rússia para uma recessão e devem dar um duro golpe nos consumidores russos, que irão enfrentar taxas ainda mais altas para emprestar a moeda. "Adeus, crescimento", disse o analista do BCS Financial Group, Luis Saenz. 

Outros economistas dizem que a medida deve ajudar a evitar um colapso financeiro no país. "Não é sobre prevenir uma recessão, mas sim evitar uma crise financeira em grande escala causada pela queda abrupta do rublo", disse o estrategista do Rabobank em Londres, Piotr Matys. 

Petróleo. A Rússia também é um dos exportadores de petróleo lutando para controlar os impactos negativos da queda de mais de 47% nos preços da commodity desde junho. Outros países emergentes e exportadores de petróleo também tentaram acalmar os investidores por meio de intervenções ou altas taxas de juros. 

O banco central do México tem feito intervenções pela primeira vez em mais de dois anos para apoiar o peso. A autoridade monetária da Nigéria elevou as taxas de juros para o recorde de 13% na última reunião para estabilizar a Naira.  

Fuga de capitais. "Mas nada que as economias emergentes possam fazer vai interromper essas potenciais fugas de capitais uma vez que economia dos EUA se recupera", ponderou o analista do fundo SLJ, Stephen Jen. 

Muitos investidores esperam que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) sinalize ao final da sua próxima reunião, na quarta-feira, que está mais perto de aumentar as taxas de juros do que havia indicado anteriormente. Tal anúncio vai ter forte impacto nos mercados emergentes, que nos últimos anos, têm se beneficiado das políticas de estímulo dos EUA. 

(Com informações da Dow Jones)

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