Após desrespeitar privacidade, Facebook será monitorado

Governo americano estava descontente com práticas da empresa, que sofrerá auditoria por 20 anos

TATIANA DE MELLO DIAS, NAYARA FRAGA, O Estado de S.Paulo

30 de novembro de 2011 | 03h03

O Facebook fechou ontem um acordo com o governo americano, que estava descontente com as práticas da empresa, e concordou em sofrer uma auditoria externa sobre sua política de privacidade por 20 anos.

O acordo com a Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC, na sigla em inglês) obriga a maior rede social do mundo a obter o consentimento do usuário antes de mudar as configurações de privacidade.

A empresa havia sido acusada de práticas "desleais e enganadoras", principalmente por causa de mudanças feitas em 2009, quando informações privadas tornaram-se públicas sem o conhecimento do usuário.

A companhia estará sujeita a auditoria externa por 20 anos, e a uma multa diária de até US$ 16 mil em casos de violação de privacidade. O acordo é parecido com o que o Google fez sobre o Buzz, que também sofreu críticas sobre sua privacidade.

No blog do Facebook, seu presidente e fundador, Mark Zuckerberg, admitiu, ao comentar o acordo, que a empresa "cometeu um monte de erros".

"A coisa mais importante é garantir que a privacidade do usuário vá adiante, e nós acreditamos que esse acordo faz isso", disse Jon Leibowitz, presidente da FTC. "E ele também permitirá ao Facebook tomar atitudes e criar mais serviços e ferramentas. Nada nessa ordem impedirá o Facebook de inovar."

Segundo a FTC, o Facebook adota repetidamente práticas enganosas. A empresa diz, por exemplo, que aplicativos criados por terceiros têm acesso apenas a algumas informações dos usuários, quando, na verdade, podem acessar praticamente todos os dados pessoais, mesmo aqueles que não são necessários para sua operação.

Além disso, o Facebook afirma não compartilhar ar informações pessoais dos usuários com anunciantes, apesar de esse ser seu modelo de negócios.

A rede também garante apagar as informações quando os usuários deletam suas contas. Mas tudo fica armazenado.

Oferta. A oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) do Facebook poderá avaliar a maior rede social do mundo em US$ 100 bilhões, informou ontem o jornal The Wall Street Journal.

O Facebook tem planos ambiciosos para sua estreia na bolsa. Uma pessoa próxima à empresa disse que o objetivo é levantar US$ 10 bilhões.

Se esse rumor se confirmar, será a maior abertura de capital de uma empresa de internet. A expectativa é de que a rede social coloque suas ações à venda em abril de 2012.

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