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Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Após pânico, Bolsa fecha em alta de 13,91%; dólar termina o dia cotado em R$ 4,81

Ibovespa ficou acima dos 82 mil pontos mesmo após Trump declarar 'estado de emergência' nos EUA; em apenas oito pregões, B3 já tem em março resultado negativo de R$ 12,479 bilhões

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2020 | 09h10
Atualizado 13 de março de 2020 | 18h08

Após o pânico da última quinta-feira, 12, o Ibovespa fechou o dia com uma alta de 13,91%, aos 82.677,91 pontos. O dólar à vista, que abriu nesta sexta-feira, 13, em forte queda, subiu após o discurso de Trump e terminou cotado em R$ 4,81, uma valorização de 0,57%.

O resultado trouxe novo alívio para o mercado, que alcançou perdas históricas nesta semana. No entanto, como consequência da volatilidade dos ativos, os investidores estrangeiros retiraram R$ 1,709 bilhão da B3 somente no pregão de quarta-feira, 11, quando a Bolsa voltou a acionar o circuit breaker, mecanismo que suspende as negociações quando é registrada uma queda acima de 10%. Somente em 2020, R$ 52,609 bilhões em capital estrangeiro saíram da B3.

Como resultado, somente nos oito primeiros pregões de março, o saldo de investimento estrangeiro na Bolsa está negativo em R$ 12,479 bilhões, resultado de compras de R$ 127,679 bilhões e vendas de R$ 140,158 bilhões.

Neste cenário, a consultoria inglesa Capital Economics cortou a projeção de crescimento do Brasil este ano de 1,3% para 0,5%, vê o Banco Central mantendo a Selic na próxima reunião e o dólar ficando em R$ 4,50. Na renda fixa, os juros futuros caem até 90 pontos após as fortes altas de ontem, que deixou o mercado disfuncional. 

E após a China declarar que o pior do surto do novo coronavírus já passou, a Organização Mundial de Saúde (OMS) informou, nesta sexta-feira, que a Europa se tornou o epicentro da pandemia de coronavírus, com maior número de infectados e mortos. Em Brasília, o presidente Jair Bolsonaro, que afirmou ter testado negativo para o coronavírus, disse há pouco a apoiadores que "a vida segue normal" e prevê "grande desafio pela frente."

A situação também segue tensa nos Estados Unidos. Nesta tarde, Donald Trump, decretou "emergência nacional" no País, por causa dos efeitos do novo coronavírus. A medida vai permitir a liberação de US$ 50 bilhões, disse o dirigente. O discurso do presidente surtiu efeitos no dólar à vista, que tinha começado o dia em forte queda de R$4,71 e no dólar para abril, que fechou em R$ 4,83, uma alta de 0,61%.

 

Commodities

Ações de empresas ligadas a commodities, como o petróleo, registram ganhos nesta sexta-feira, após fortes perdas recentes. Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para abril fechou em alta de 0,73%, a US$ 31,73 o barril. Já na Intercontinental Exchange (ICE), o petróleo Brent para maio avançou 1,90%, a US$ 33,85 o barril. Na comparação semanal, no entanto o WTI caiu 23,13%, e o Brent recuou 25,22%.

Há pouco, as ações ON de Petrobrás subiam 5,8%, e a PN subia 4,76% - ajudadas também pela retomada do petróleo. CSN ON ganha 6,84% e Vale, 8%. Neste caso, o operador chama a atenção para a resiliência do minério de ferro nesta semana de turbulência, conseguindo acumular ganho de mais de 1% desde a última sexta-feira, "o que beneficia a mineradora". 

Mercado europeu tem dia de recuperação 

Os mercados internacionais ensaiaram uma recuperação das perdas da última sessão durante a manhã, mas os fortes ganhos de mais cedo perderam força no início da tarde, com as bolsas em Nova York e na Europa desacelerando juntamente com a perda de fôlego dos contratos de petróleo. A convocação de coletiva de imprensa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para falar sobre o coronavírus às 16 horas (de Brasília), seguida de rumores sobre uma possível declaração de emergência nacional no país, alimentou especulações no mercado e reduziu fôlego que vinha nos mercados desde cedo. As incertezas em torno da pandemia levaram empresas a elevarem as compras de dólar, o que ajuda a manter o índice DXY em alta, que também recebe suporte do euro fraco. Se, por um lado, a notícia de que a União Europeia (UE) oferecerá 37 bilhões de euros aos países-membros deu tom geral de otimismo, por outro, pressiona o euro, diante do aumento de liquidez da moeda. 

Às 12h26 (de Brasília), o índice Dow Jones subia 2,62%, o S&P 500 avançava 2,58%, e o Nasdaq, 2,47%. As negociações do pré-mercado chegaram a ser interrompidas após os índices futuros atingirem o limite de ganhos de 5%. Na Europa, o índice FTSE 100, de Londres, se fortalecia 2,21%, o Dax, de Frankfurt, 1,54%, e o CAC 40, de Paris, 2,97%. A maior alta, contudo, se dava em Milão, com o índice FTSE operando em alta de 9,86%.

Na Ásia, os pregões asiáticos sentiram os impactos e, mesmo conseguindo diminuir um pouco as perdas ao final das negociações, fecharam em baixa, na madrugada desta sexta-feira, 13. As situações mais graves foram no Japão, onde o índice Nikkei chegou a bater em (-10%), fechando com (-6,08%), e na Coreia do Sul, que teve que acionar "circuit breaker", quando as negociações param por um determinado período, fechando com recuo de 3,43%.

Juros

Toda a curva de juros abriu nos limites de baixa, travando operações no mercado futuro, o Ibovespa Futuro, antes da abertura do mercado, às 10h, sobe mais de 9%, enquanto o dólar, já em negociação, recua ante o real, embora já desacelere as perdas.

Os ativos domésticos acompanham a recuperação parcial dos mercados internacionais, após o pânico na quinta, em meio ao anúncio de novas medidas de estímulo fiscal e monetário pela China e Japão e com validade a partir de segunda-feira, além de corte de juros pelo Banco Central da Noruega, a fim de tentar amenizar os impactos econômicos da pandemia do novo coronavírus. Na manhã desta sexta, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que "só corte de impostos na folha de pagamentos fará grande diferença na economia", sem dar detalhes.

No Brasil, ajudam também a amenizar o humor, um pacote de R$ 28 bilhões anunciado ontem à noite pelo ministério da Economia destinado a atender prioritariamente idosos e o setor de saúde, além de leilões conjugados do BC e do Tesouro nesta manhã

Nos mercados de moedas, o índice DXY, que mede a variação do dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, opera em alta, reagindo à demanda crescente das empresas por proteção em meio às incertezas em torno do coronavírus e a despeito dos estímulos já anunciados por diferentes governos e bancos centrais. Em relação a moedas emergentes, o dólar recua com uma realização parcial de ganhos recentes. Antes o real, o dólar acumula alta de quase 5% no mês e de 17% neste ano.

Na renda fixa, os negócios estão travados na B3, com queda de até 95 pontos-base em vários contratos nesta manhã, tendo sido acionados os limites de baixa logo na abertura, dos vencimentos de janeiro 2021 a janeiro 2025. O movimento se dá na contramão do visto na quinta, quando as taxas dispararam mais de 100 pontos, acionando os limites de oscilação de alta várias vezes ao longo do dia.

Às 9h39, a taxa de depósito interfinanceiro (DI) para janeiro de 2021 caía a 4,28%, limite de baixa, de 4,95% no ajuste de quinta. O DI com vencimento para janeiro de 2023 cedia para 6,36%, limite de baixa, de 7,26%. E o DI para janeiro de 2025 estava no limite de baixa, em 7,27%, de 8,22% no ajuste anterior. 

ETF braslieira nos EUA 

O iShares MSCI Brazil (EWZ), como é conhecido o maior fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) do Brasil negociado em Nova York, operava em alta de 9,14% nos negócios do pré-mercado às 8h38 (de Brasília), segundo dados do site MarketWatch. Minutos antes, o mesmo site apontava uma forte queda do EWZ. O fundo de índice funciona "espelhando" índices econômicos de países em uma cesta feita para investidores. / MARCELA GUIMARÃES, MATHEUS PIOVESANA, ALTAMIRO SILVA JUNIOR, SERGIO CALDAS, LUCIANA XAVIER E FELIPE SIQUEIRA 

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