JF Diorio/ Estadão
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Após perdas, Bolsa fecha em alta superior a 2%; dólar reduz ritmo, mas termina acima de R$5

Moeda americana chegou a ficar acima de R$ 5,20; mesmo com instabilidade do mercado, B3 conseguiu ficar acima dos 68 mil pontos nesta quinta-feira, 19

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2020 | 09h06
Atualizado 24 de março de 2020 | 18h50

Em mais um dia de instabilidade durante a crise mundial, o dólar perdeu fôlego e diminuiu o ritmo de alta - mas ainda terminou o dia cotado a R$ 5,08, uma queda de 1,8%. Já a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, conseguiu recuperar parte das perdas nesta quinta-feira, 19, e fechou com alta de 2,15%, aos 68.331,80 pontos. 

Apesar de continuar no patamar dos R$ 5, o resultado do dólar ainda pode ser visto como positivo. Na última quarta-feira, 18, a moeda fechou em R$ 5,19 - no mesmo dia, o dólar bateu na casa dos R$ 5,25, um novo recorde nominal (quando é descontada a inflação), para o câmbio desde o início do Plano Real. Nesta quinta, o valor máximo alcançado pela moeda foi de R$ 5,20.

O Ibovespa também apresentou resultados positivos. Às 15h33, o índice subia 3,70%, na máxima do dia, aos 69.372,56 pontos. Os números trazem alívio para o mercado após a sessão caótica da última quarta-feira, 18, quando a B3 caía mais de 10% e o 6º "circuit breaker" do mês precisou ser acionado, paralisando as negociações por mais de 30 minutos.

Com os ganhos, algumas ações conseguiram se recuperar no mercado. A Petrobrás ON subiu 12,67% a R$ 12,45, e a Petrobrás PN, 8,15%, a R$ 12,21. No entanto, as surpresas foram as ações da Azul PN, que disparou 15,65%, e da Gol PN, que teve alta de 11,61% - mesmo após o anúncio de redução do salário e da jornada de trabalho de seus funcionários.

Contexto local

A moeda americana deu sinal de alívio depois que o Banco Central anunciou mais um leilão à vista de dólares, em tarde de comportamento misto na comparação com outras moedas de emergentes. Enquanto isso, os Estados anunciaram algumas medidas para dar suporte às empresas neste momento em que o faturamento vai ser muito reduzido. O Rio de Janeiro, por exemplo, lançou uma linha de crédito de R$ 320 milhões aos micro e pequenos negócios.

O governo brasileiro também anunciou que vai pagar uma parcela do seguro desemprego, para trabalhadores que tiverem o salário reduzido pela crise. A medida, que faz parte do “programa antidesemprego” do Ministério da Economia, deve atingir 11 milhões de pessoas e vai custar R$ 10 bilhões. Os recursos serão retirados do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT)

Além destas ações, a Petrobrás anunciou que vai reduzir em 5% o valor do gás de cozinha nas refinarias. A Câmara dos Deputados também disse que vai encontrar formas para proteger os trabalhadores informais, como por meio da concessão de seguro-desemprego, no caso de suspensão dos contratos.

Já a Caixa disse que vai reduzir os juros em até 45%, além de suspender até duas parcelas para aqueles que realizaram empréstimos com o banco. A expectativa do mercado fica agora em torno das medidas que serão anunciadas pelo BNDES, que tem R$ 140 bilhões em caixa para socorrer as empresas em necessidade

No entanto, a situação ainda é crítica. Após GM e Mercedes anunciarem que vão suspender as atividades no País, a Ford também informou que vai suspender as atividades das suas três fábricas no Brasil e da sua unidade na Argentina. Em nota, a montadora informou que não há previsão para o retorno das atividades. Além disso, os Estados pediram uma ajuda de R$ 14 bilhões por mês, para o combate ao novo coronavírus.

Contexto mundial

O dólar começou a dar sinais de alívio depois do Federal Reserve, o Fed, anunciar uma linha de swaps cambiais - o que equivale a venda de dólar no mercado futuro -, para nove países, incluindo o Brasil. A ação vai custar US$ 60 bilhões. Também ajudou a sustentar os ganhos da Bolsa, uma correção expressiva dos preços do petróleo no mercado internacional, depois de o governo dos Estados Unidos anunciar a compra de 30 milhões de barris da commodity.

Em resposta, o petróleo do tipo 'Brent', para maio, fechou a US$ 28,47 por barril, uma alta de 14%. Já o WTI, também para maio, saltou 24,39%, a US$ 25,91, após ter fechado ontem no menor nível desde 1999 -  a US$ 20,98 o barril.

No entanto, mesmo em meio às ações de governos e bancos centrais, ainda há grande receio sobre quais serão os impactos do novo coronavírus na economia. Como consequência, a agência Fitch já imagina um cenário de 'recessão global', com o crescimento mundial encolhendo de 2,5% para 1,3%. O governo brasileiro também deve reduzir para 0, a previsão de crescimento do PIB para este ano.

Bolsas no mundo 

Apesar da alta volatilidade do mercado, as ações das Bolsas americanas somaram ganhos nesta quinta. O Dow Jones fechou em alta de 0,95%, aos 20.087,19 pontos, o S&P 500 avançou 0,47%, a 2.409,39 pontos, e o Nasdaq subiu 2,30%, a 7.150,58 pontos. Os investidores também reagiram positivamente ao comprometimento de Donald Trump em socorrer as empresas que precisarem de ajuda - o que inclui desde as aéreas até os microempreendedores.

Na Ásia, mesmo com estímulos de vários países anunciados durante a madrugada, as Bolsas fecharam em queda generalizada novamente, no segundo dia seguido. O maior recuo aconteceu na Coreia do Sul, com um tombo de 8,39%, seguido de Taiwan (-5,83%) e Hong Kong (-2,61%). Houve quedas menos expressivas, mas também relevantes nos mercados asiáticos: Japão (-1,04%) e China (-0,98%). A China, inclusive, país em que a doença surgiu, em Wuhan, teve o primeiro dia sem registrar novos casos desde o início da crise.  Apenas a Tailândia teve uma leve alta, muito tímida, de 0,06%. A Austrália recuou 3,79%. 

Já na Europa, o início das negociações foi promissor, com países registrando altos ganhos, buscando se recuperar das fortes perdas do pregão anterior. Isso acontece após o Banco Central Europeu (BCE) anunciar, na noite de quarta, um novo programa temporário de compra de ativos no valor de 750 bilhões de euros. Mas, após a divulgação de sentimento das empresas da Alemanha, que sofreu a maior queda desde 1991, alguns mercados passaram a cair. Pouco depois das 7h, a Bolsa de Londres caía de 1,97%, a de Frankfurt recuava 0,66%, a de Paris tinha baixa de 1,51% e a de Lisboa estava em (-1,48%). Em Milão e Madri, os ganhos eram de 1,75% e 0,36%./ SERGIO CALDAS, MARCELA GUIMARÃES, GABRIEL BUENO DA COSTA, FELIPE SIQUEIRA E MAIARA SANTIAGO.

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