Vincent Yu/AP Photo
Vincent Yu/AP Photo

Mercados internacionais fecham a maioria em alta à espera de discurso do Fed

Expectativa é que Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (o BC americano), mantenha seu discurso de incentivar a economia americana no que for necessário durante a retomada

Sergio Caldas, O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2020 | 07h00
Atualizado 26 de agosto de 2020 | 18h59

Os principais índices do exterior fecharam em alta nesta quarta-feira, 26, à espera de um novo discurso de incentivo do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Jerome Powell, que deve manter seu compromisso com as medidas de incentivo para a economia americana. Na Ásia, no entanto, dados econômicos ruins vindos dos EUA ajudaram a derrubar os mercados.

Investidores demonstram expectativa com um aguardado discurso do presidente do Fed durante o simpósio de Jackson Hole, nesta quinta-feira, 27. As visões de Powell sobre política monetária e perspectiva econômica tendem a ter impacto significativo nos mercados financeiros.

A expectativa nos mercados é de que o presidente do Fed mantenha o tom de apoio à atividade, o que tende ajudar os mercados acionários. Sinais de melhora recente nas relações comerciais entre Estados Unidos e China também apoiavam o apetite por risco em geral, segundo analistas. 

Contudo, ficou no radar o índice de confiança do consumidor nos EUA elaborado pelo Conference Board, que caiu pelo segundo mês consecutivo em agosto, de acordo com pesquisa divulgada terça-feira, 25, que reacendeu dúvidas sobre a retomada da economia mundial após o choque do novo coronavírus, embora números americanos sobre vendas de novas moradias tenham surpreendido positivamente.

Bolsas da Ásia

Na China, o Xangai Composto recuou 1,30% hoje e o menos abrangente Shenzhen Composto caiu 1,88%, pressionados por ações ligadas a eletrônicos e defesa. O ChiNext, índice com foco em tecnologia semelhante ao americano Nasdaq, teve queda de 2,1%, a 2.644,14 pontos, ficando no vermelho pela primeira vez desde que novas regras de negociação entraram em vigor, na segunda-feira 24.

Em outras partes da Ásia, o japonês Nikkei encerrou o pregão em baixa marginal de 0,03%, mas o Hang Seng teve ligeira alta de 0,02% em Hong Kong - à medida que os papéis locais do grupo varejista chinês Alibaba saltaram 4,16% para novo valor recorde -, o sul-coreano Kospi avançou 0,11% em Seul, em seu quarto pregão seguido de valorização, e o Taiex registrou ganho de 0,59% em Taiwan. Na Oceania, a Bolsa australiana ficou em território negativo, com baixa de 0,73%.

Bolsas da Europa 

O fato do governo alemão ter prolongado na última terça-feira, 25, medidas para aliviar o choque da pandemia da covid-19 apoiou os negócios hoje, sobretudo em Frankfurt. Em relatório, o Commerzbank destacou ainda que a ajuda às empresas também foi estendida, o que lhes permite solicitar ajuda de curto prazo e suspende a obrigação de declarar insolvência até o fim deste ano. Foram também estendidos apoios para pequenos negócios.

No velho continente a sessão também foi de ganhos, à espera do discurso de incentivo do presidente do FedJerome Powell - com isso, o Stoxx 600 fechou em alta de 0,91%. Por lá, a Bolsa de Londres fechou com ganho de 0,14%, a de Paris teve alta de 0,80% e a de Frankfurt subiu 0,98%. Já MilãoMadri e Lisboa tiveram ganhos de 0,54%, 0,21% e 0,20%.

Bolsas de Nova York

Na agenda de indicadores americanos, as encomendas de bens duráveis surpreenderam com alta de 11,2% em julho ante junho, bem acima da previsão de avanço de 5% dos analistas ouvidos pelo Wall Street Journal. O Wells Fargo avaliou o dado como sinal de que o investimento continuou a se recuperar em julho nos EUA. 

Nesse cenário, as bolsas de Nova York ganharam fôlego à tarde, o que levou os índices S&P 500 e Nasdaq a registrarem novos recordes históricos de fechamento hoje, com destaque para a alta dos setores de comunicação e tecnologia. O Dow Jones fechou em alta de 0,30%, o S&P 500 subiu 1,02% e o Nasdaq avançou 1,73%.

Petróleo 

Numa sessão volátil, os contratos futuros de petróleo fecharam sem sentido único, influenciados pelo furacão Laura no Golfo do México -  até ontem, a produção da commodities já havia sido cortada em 84%, de acordo com o Escritório de Segurança e Implantação Ambiental do Estados Unidos. Também pesa a espera pela divulgação dos dados semanais de estoques do Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE, na sigla em inglês).

O petróleo WTI para outubro fechou em alta de 0,09%, a US$ 43,39 o barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex), e o Brent para o mesmo mês caiu 0,48%, a US$ 45,64 o barril, na Intercontinental Exchange (ICE)./COLABOROU MAIARA SANTIAGO

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.