Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dólar bate R$ 3,95 e fecha no maior valor desde fevereiro de 2016

Moeda americana chegou a ser negociada acima de R$ 3,97 durante o pregão; investidores reagiram à estagnação de Geraldo Alckmin, considerado pró-mercado, em pesquisa eleitoral divulgada nesta segunda-feira, 20

Paula Dias e Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2018 | 11h32
Atualizado 20 Agosto 2018 | 18h36

O cautela dos investidores diante das eleições de outubro voltou a dominar a cotação do dólar no Brasil. A postura defensiva do mercado veio desde cedo, com a expectativa em relação à pesquisa CNT/MDA. O levantamento mostrou estagnação do candidato preferido do mercado, Geraldo Alckmin (PSDB), e que Fernando Haddad (PT) tem o maior potencial para herdar os votos do ex-presidente Lula.

A expectativa com a pesquisa do Ibope, que será divulgada de noite, aumentou a preocupação durante a tarde, levando o dólar a fechar a R$ 3,9571, em alta de 1,10%. É a maior cotação da divisa americana desde 29 de fevereiro de 2016. Na máxima durante o pregão, o dólar chegou a R$ 3,9713, o que suscitou rumores de que o Banco Central pode intervir para conter a escalada da moeda.

O Ibovespa, no entanto, se descolou do mau humor nos mercados de câmbio e terminou com ganho de 0,39%, aos 76.327,89 pontos. O índice contou com a ajuda de papéis de exportadoras, impulsionadas pelo câmbio, e seguiu bom desempenho das Bolsas em Nova York.

Dólar

O volume nesta segunda foi fraco e os negócios de dólar somaram US$ 521,6 milhões, aproximadamente metade de um dia considerado normal. "Os rumores de intervenção do BC surgem naturalmente, uma vez que a própria autoridade monetária é quem afirma que deixará o dólar flutuar, mas poderá atuar toda vez que perceber distorção nos preços", disse Ricardo Gomes da Silva, diretor da Correparti.

O profissional afirma que alguns investidores tiveram de dar ordens de "stop loss" (interrupção de perdas) após a divulgação da pesquisa CNT/MDA, divulgada pela manhã. Em linhas gerais, o levantamento mostrou pouca alteração no quadro já conhecido, com Lula e Bolsonaro liderando as intenções de voto.

Na quarta-feira será a vez do Datafolha divulgar pesquisa de intenção de voto. Segundo analistas ouvidos pelo Broadcast, esses dois levantamentos, por terem sido feitos por institutos maiores, têm potencial para acalmar o mercado ou elevar ainda mais a tensão nos negócios ao longo da semana.

O gerente de câmbio da Fair Corretora, Mário Battistel, explica que o baixo volume de negócios ocorreu porque potenciais vendedores optaram por segurar seus recursos, por acreditarem que há potencial para novas altas, ao mesmo tempo em que os compradores buscaram aguardar uma melhora dos preços.

O cenário internacional também contribuiu para a alta das cotações, uma vez que o dólar se fortaleceu ante a maioria das moedas de países emergentes e exportadores de petróleo. Além das questões comerciais envolvendo os Estados Unidos, pesaram rumores de que o presidente Donald Trump teria afirmado que o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, não tem sido favorável ao "dinheiro barato".

Ações

O Ibovespa operou na contramão do desempenho visto nos mercados de câmbio. O principal índice de ações do Brasil defendeu o patamar dos 76 mil pontos na sessão desta segunda-feira, que teve um giro financeiro de R$ 17,8 bilhões.

Marco Saravalle, estrategista da XP Investimentos, defende que a safra de balanços mostrou que há bons fundamentos das empresas listadas. Pelos cálculos de Saravalle, em uma média ajustada (desconsiderando Petrobrás e Vale), houve crescimento de 22% nos lucros das companhias. "Vemos fundamentos, mas as incertezas são muito grandes."

As ações das siderúrgicas ganharam destaque neste pregão, com a elevação do preço das commodities. Usiminas e CSN lideraram as altas do Ibovespa, juntamente com Gerdau. No caso da Usiminas, o JPMorgan elevou a recomendação da ação da siderúrgica e atualizou seu preço-alvo de R$ 12,50 para R$ 14,50.

O novo valor implica em um potencial de alta de 82% em relação ao fechamento da sexta-feira, de R$ 7,94. Segundo operadores, o preço-alvo da Gerdau também foi elevado para R$ 22.

A notícia de distribuição de dividendos da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e a informação de que a companhia chegou a um acordo com credores para alongar os prazos de suas dívidas fez o papel subir quase 5%. A empresa informou que os acordos ainda precisam ser assinados, depois de cumpridas certas condições.

Os papéis ordinários da CSN terminaram o dia em alta de 4,77%, a R$ 9,44. Usiminas PNA liderou os ganhos do Ibovespa, com elevação de 5,42%, a R$ 8,37, e Gerdau PN fechou com elevação de 3,58%, a R$ 16,21. Os papéis também foram beneficiados pela alta do minério de ferro. No mercado de futuros na bolsa de Dalian, na China, o minério de ferro para entrega em janeiro subiu 1,71%. Já no porto de Qingdao, a commodity registrou leve alta de 0,27%. / COM WAGNER GOMES

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