Após dois dias de alta, dólar volta a cair

Medidas do governo para conter valorização do real provocaram aumento de 2,15%; ontem, a moeda americana recuou 1,02%, para R$ 1,553

Silvana Rocha, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2011 | 00h00

Durou apenas dias o efeito das medidas adotadas na quarta-feira para segurar a valorização cambial. Após a alta acumulada de 2,15% na quarta e na quinta-feira, o dólar voltou a fechar em baixa ontem. A queda foi de 1,02%, com a cotação encerrando o dia em R$ 1,553.

As medidas que restringem operações com derivativos cambiais anunciadas no meio da semana sucumbiram ontem ao cenário externo, com dúvidas dos investidores em relação à crise da dívida dos Estados Unidos. No resultado acumulado do mês de julho, o dólar mantém queda de 0,51%. Desde janeiro a queda acumulada já chega a 6,67%.

Na BM&F, o dólar pronto terminou a sessão em baixa de 0,86%, a R$ 1,5515. O giro financeiro total à vista registrado pelo Banco Central somou US$ 2,105 bilhões. O Banco Central fez dois leilões de compra de moeda à vista e definiu as taxas de corte em R$ 1,5550 e R$ 1,5539.

Segundo operadores das mesas de câmbio, o forte posicionamento de investidores apostando contra o dólar pesou adicionalmente para a queda das cotações. A medida provisória publicada quarta-feira no Diário Oficial autorizou o Conselho Monetário Nacional (CMN) a definir regras específicas para as negociações de derivativos e a tributar com IOF de até 25% sobre o valor dessas operações. A tributação, de acordo com um decreto editado no mesmo dia, começa com alíquota de 1% de IOF sobre a posição vendida líquida - diferença entre a posição vendida e a posição comprada bruta - que exceder US$ 10 milhões.

O governo também surpreendeu ao punir quem toma o empréstimo externo com prazo médio superior a 720 dias e antecipa a sua liquidação.

Desde cedo, a moeda americana foi pressionada pelo fraco Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no segundo trimestre, que ampliou o mal-estar com o impasse sobre o aumento do teto da dívida americana e os desdobramentos da crise dos países europeus.

Antes disso, o dólar chegou a subir em meio à decisão da Moody"s de colocar em revisão para possível rebaixamento os ratings da Espanha e de algumas instituições financeiras do país, provocando o enfraquecimento do euro.

Contudo, o pálido crescimento de 1,3% do PIB dos EUA, ante previsões de 1,8%, provocou inversão de sinais, com o dólar passando para queda. Apesar das dúvidas sobre a Espanha levantadas no mais recente relatório sobre o país feito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), o euro encontrou espaço para reagir.

Para o FMI, a Espanha tomou medidas decisivas, mas esforços ainda maiores são urgentemente necessários. "O cronograma de medidas continua desafiador e urgente - não pode haver pausas no ímpeto da reforma", diz o Fundo.

No fim da manhã, o presidente dos EUA, Barack Obama, tentou animar os investidores dizendo que as conversas entre democratas e republicanos continuariam no fim de semana, e é cada vez mais urgente a necessidade de evitar a suspensão de pagamentos.

Diante do possível impasse sobre a dívida e do temor de eventual rebaixamento dos ratings AAA dos EUA, os investidores não titubearam. Em Nova York, às 18h22, o euro subia US$ 1,4397, de US$ 1,4330 no fim da tarde de quinta-feira. O dólar caía a 76,76 ienes, de 77,65 ienes no dia anterior, e recuava para 0,7860 franco suíço, de 0,8009 franco suíço na véspera.

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